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Com funcionários detidos, Bombeiros usam a força para entregar paciente na Santa Casa

Os militares constaram que haviam leitos disponíveis dentro do Hospital

6 AGO 2017
Rodson Willyams
14h34min
Foto: André de Abreu

Dois homens foram presos por volta das 21 horas, desde sábado (5), após se negarem a abrir o portão da emergência da Santa Casa, que está fechado desde a última quarta-feira (2), em Campo Grande. Uma equipe do Corpo de Bombeiros estava com um paciente em estado grave, regulado para a unidade e, mesmo assim, a entrada foi negada pelos funcionários. Um integrante do Corpo de Bombeiros precisou 'pular o portão' e abrir de forma manual para que o paciente fosse socorrido pelos médicos do hospital. 

Segundo o registro policial, a viatura UR-101, do Corpo de Bombeiros, estava socorrendo uma vítima que apresentava quadro de 'fratura exposta na tíbia e fíbula, fratura fechada de trocanter, amputação de dedo do pé direito, trauma de tórax, rebaixamento de nível de consciência, cianótico, taquicardia, taquipneia, referindo sede, saturação 88 e sinais de choque hipovolêmico', considerado paciente em estado grave, sendo impedida de entrar no hospital, uma vez que foi regulada pela central 192 para a Santa Casa. 

No Boletim de Ocorrência, os militares informaram que chegaram ao local por volta das 20h38, porém, o porteiro identificado apenas como Fabio recepcionou a equipe e informou que iria confirmar a regulação e a existência de vaga, deixando a vítima esperando dentro da ambulância, do lado de fora do hospital, com os portões fechados. 

O porteiro tentou fazer contato com a central de regulação para confirmar a senha e, após 20 minutos do paciente aguardando entrada, um dos militares do Corpo de Bombeiros acionou o CIOPS e informou o agravamento do estado de saúde da vítima. Nesse período, o portão chegou a ser aberto para a saída e entrada de viaturas, porém, a mesma permaneceu do lado de fora do hospital. 

Com o contato feito, o CIOPS confirmou a regulação médica e, às 20h58, recebeu ordem para que a equipe entrasse no hospital. O porteiro teria insistido que o paciente não estava regulado para aquela Unidade de Saúde, mantendo os portões fechados, impedindo a entrada da viatura e consequentemente da vítima. Neste momento, o porteiro recebeu voz de prisão pelo crime de omissão de socorro. 

Antes de entrar, por volta das 21 horas, um segundo funcionário identificado como John Talles, apareceu e foi, novamente informado que a vítima estava com senha e regulada para entrar no hospital. O mesmo disse que a vítima não estava regulada e que era para aguardar. 

Os militares solicitaram que John abrisse os portões, sendo o negado que não havia tal regulação. Neste momento, a comunicante informou que já tinha ordem de entrar no hospital, já que nenhuma vítima falece no interior das UR.

Neste momento, um solado do Corpo de Bombeiros precisou pular o portão e entrar no hospital, sendo então, aberto com as próprias 'mãos' até a unidade entrasse no hospital.

Outra viatura do Corpo de Bombeiros, que havia saído anteriormente do local, retornou, e deu apoio para que os homens não se evadissem do local. 

Por fim, conforme consta no Boletim de Ocorrência, a equipe, ao entrar no hospital, constatou que dentro da Santa Casa "foi observado que havia vários leitos vazios". 

Ambos foram encaminhados para a Depac do Centro, e lá informaram que receberam 'ordens da direção da Santa Casa, que não seria autorizada a entrada de nenhum paciente sem regulação de vagas". O caso foi registrado como omissão de socorro. 

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