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Convidada para falar sobre feminicídio, mãe de Mayara passa mal antes de evento

Musicista Mayara Amaral foi assassinada em 27 de julho e notícias sobre o crime recente abalaram a mãe da jovem

8 AGO 2017
Anna Gomes e Rodson Willyams
11h20min
Veradora convidou mãe de musicista para participar da sessão desta terça-feira Foto: Reprodução/Facebook

Ilda Cardoso, mãe da musicista Mayara Amaral, 27 anos, que foi brutalmente assassinada no último dia 27 de julho, passou mal a caminho da Câmara Municipal de Campo Grande. Ela foi convidada pela vereadora Cida Amaral (PTN) para comentar, na manhã desta terça-feira (8), sobre feminicídio, também sobre os 11 anos de existência da Lei Maria da Penha, além do Agosto Lilás.

A vereadora explicou que Ilda estava a caminha da Casa de Leis quando começou a ler reportagens onde diziam que o assassino de sua filha iria responder por latrocínio (roubo seguido de morte) e não pelo crime de feminicídio, que a família esperava.

"Fiz o convite e ela aceitou, mas durante o percurso, ela leu as notícias, ficou muito abalada e sensibilizada com a conclusão da polícia. Não se sentiu bem e precisou ser hospitalizada. Não é possível imaginar a dor dessa mãe. Em um momento mais oportuno vou convidá-la novamente", ressaltou Cida Amaral.

A delegada-geral da Polícia Civil, que há anos ficou a frente da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Rosely Molina, também esteve na Câmara e comentou sobre o assassinato da musicista. Quando interrogada se houve alguma denúncia contra os delegados que investigaram  o caso que tomou proporções internacionais, Molina nega prontamente.

"Não houve denúncias, inclusive, cheguei a orientar nas investigações. Ficou constatado que, no crime, o autor queria receber vantagem com o roubo, por isso não foi feminicídio. É preciso olhar de forma fria e enxergar o que a lei diz. É necessário analisar para ver se o crime realmente foi pelo fato da vítima ser mulher, mas neste, o objetivo foi patrimonial. A polícia agiu de forma rápida, mas infelizmente não vai trazer a menina de volta. Isso é um crime horrendo", destaca Rosely.

 

Rosely Molina diz que ajudou nas investigações

Molina disse que também vai comentar na Câmara sobre os avanços da Lei Maria da Penha. "Trouxe bastante mecanismos e vamos comentar sobre a influência e o auxílio do Poder Executivo. Durante os últimos anos, o número de casos de violência contra a mulher aumentou, mas não vejo isso de forma negativa, pelo contrário, assim mostra que as mulheres estão denunciando seus agressores e isso é bom para poder ajudar a defendê-las", finalizou.

Caso Mayara

O assassino Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos que matou a musicista Mayara a marteladas em um motel e queimou o corpo da vítima, responderá pelos crimes de latrocínio e ocultação de cadáver. O inquérito da Polícia Civil foi encaminhado na última sexta-feira (4) ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

De acordo com a delegada Gabriela Stainle, da Defurv (Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos), foi concluído que Luis Alberto matou a vítima para roubar. "Concluímos que ele agiu sozinho tanto no latrocínio, quanto na ocultação de cadáver. Ele responderá pelos dois crimes", explicou a delegada.

Comparsas de Luis, Ronaldo da Silva Olmedo, 30 anos, o 'Cachorrão', foi indiciado por tráfico de drogas, e Anderson Sanches Pereira, 31 anos, por receptação.

A defesa de Luis tenta reverter o crime para feminicídio, cuja a pena é menor do que o latrocínio.  Após a morte da musicista, o trio dividiu os bens da vítima, entre eles um veículo VW Gol 1992.

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