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Com 24 anos, estátua do Preto Velho recorda religiões africanas e já foi 'quase esquecida'

Cientista social destaque importância da pluralidade de monumentos religiosos em Campo Grande

05 outubro 2019 - 18h10Por Nathalia Pelzl

Monumentos religiosos seguem espalhados por diversas ruas de Campo Grande, por exemplo, a estátua do Preto Velho, em representação a religião umbandista, fica localizada no meio da praça, na Avenida Fábio Zahran, com a Rua Senador Ponce, na Vila Progresso. Entretanto, devido à correia do dia a dia, o significado passa despercebido.

Com 24 anos de existência, a estátua do Preto Velho fica em um local com árvores e bancos, indicativos para uma pausa para quem trabalha pela região. Representando uma cultura formada por religião, dança, comidas típicas, misticismos e muito folclore, o monumento já foi alvo de vândalos e até mesmo pessoas preconceituosas, com relação à religião umbandista.

O TopMídiaNews conversou com a cientista social e mestranda em antropologia, Ariel Dorneles, sobre a importância da pluralidade de monumentos religiosos. Na visão da cientista, existe um preconceito e um pré-conceito sobre religiões de matriz africana.

“O fato de vivermos em um Estado teoricamente laico não nos impede de termos representações diversas nos espaços públicos. O que me preocupa é que as imagens, monumentos que representam as religiões de matriz africana, são regularmente demonizadas e depredadas. O Preto Velho mesmo é um exemplo”, destaca.

Ela lembra que, apesar de estar no local há tantos anos, a estátua já foi ‘quase esquecida’ e muitas vezes vandalizada.

“Durante muitos anos a imagem ficou quebrada, sem nenhuma preocupação das autoridades em restaurar. A última vez que vi estava inteira, mas há um imaginário popular de que essas representações não deveriam fazer parte do convívio social/público. Contudo, se podemos ter as imagens de santos e de Cristo espalhadas pelo país (a mais notória é o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro), então podemos ter outras divindades ocupando espaços públicos, tendo em vista que somos uma sociedade plural, com subjetividade plural, práticas e crenças plurais”, finaliza.