Nesta quarta-feira (21) é comemorado o Dia Mundial da Religião e, no Brasil, é comemorado também o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A primeira, sugerida em 1949 oir uma Assembleia Religiosa Nacional dos Baha'is nos Estados Unidos, buscava harmonia e unidade entre as religiões, baseadas no princípio de amor e paz.
Já a data de Dia Nacional de Combate à Intolerância religiosa é mais recente, foi instituída no Brasil por meio da Lei 11.635/2007, no ano de 2007, e tristemente, em memória de Mãe Gilda de Ogum, uma mãe de santo morta em 21 de janeiro de 2000, quando sua casa e seu terreiro foram atacados por intolerantes religiosos, vindo ela a se tornar um símbolo da resistência na luta contra a intolerância e a violência relgiiosa.
A data também aborda a luta pela liberdade de crença e, ainda, contra o racismo religioso - tido por pesquisadores e líderes religiosos como a própria intolerância religiosa -, posto que ataca a tradição e a existência de um grupo étnico-cultural de forma específica, ao invés de existir apenas a divergência de creças. Com isso, acaba por afetar principalmente as religiões de matriz ou influência africana.
Além disso, a data convida a população à reflexão e, ainda, reforça que a liberdade religiosa é um direito humano fundamental.
Estatísticas
Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos, no Brasil, os alvos preferenciais da intolerância religiosa são as religiões de matriz ou influência africana, com mais de 50% das violações, conforme dados do Disque 100.
Nos anos de 2024 e 2025 houve um aumento significativo nos registros desse tipo de caso, com crescimento entre quase 67% e mais de 80% em 2024, em comparação ao ano de 2023.
Estudos ainda mostram que, de acordo com as denúncias do Disque 100, 76% dos terreiros sofreram algum tipo de violência e, para além disso, a maioria das vítimas são mulheres, geralmente perseguidas por homens e sendo atacadas em residências ou escolas.
O estado de São Paulo lidera o ranking da intolerância, com 919 casos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 764 ocorrências, depois Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
Cabe destacar que outras religiões também foram alvo dos intolerantes: protestantes (evangélicos), católicos, espíritas, muçulmanos e judeus, porém, em número bem menor. Ainda assim, por mais que o Brasil seja um país plural, miscigenado, multiétnico e multicultural, a intolerância religiosa persiste em meio à sociedade.
Com isso, é importante ressaltar que a denúncia é imprescindível para que se faça o combate adequado e eficiente. As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100 de forma gratuita, e de forma presencial em delegacias de polícia.







