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Cristina se realizou como empresária, mas tempos de Miss deixam saudade no coração

“Até hoje me chamam para ser jurada de concurso de beleza. Foi uma experiência linda que tive, me ensinou tanta coisa", conta

15 MAR 2019
Nathalia Pelzl
13h10min
Foto: Arquivo Pessoal

Nostálgica, assim a empresária do ramo de hotelaria Cristina Moreira Bastos, 47 anos, a 'Cris', diz se sentir quando lembra sua trajetória nas passarelas. Há 33 anos, ela ganhava o título de Miss. À época, apenas uma menina, ela reforça que nem sonhava em ser modelo.

“Eu tinha 13 anos quando comecei, mas nem pensava nisso. Tinha os olheiros, que ficavam olhando as meninas que eram bonitinhas. Antes os concursos de beleza tinha muito valor, era um evento, um concurso de garota jeans, garota verão, todo mundo ia, era aquela coisa da pessoa chegar para os pais e pedir para a menina participar”, conta.

Ela conta que foi assim, através dos olheiros, que participou do seu primeiro concurso em Miranda, “garota verão”.

“Meus pais acharam o máximo quando falaram, poxa acharam minha filha bonita, vamos ajudar. Vai minha filha, vai vamos. Fiz esse primeiro desfile, depois o “garota jeans’’, muito famoso, até pessoal de fora do Estado assistia, fui representando Miranda. Foi bem legal, foi minha primeira experiência em um concurso estadual, ai já tinha 14 anos”, relembra.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo a empresária, as oportunidades foram surgindo de forma natural até chegar oficialmente ao concurso de Miss e, apesar de ter sido uma trajetória curta - ela encerrou a carreira de modelo aos 17 anos -, foi uma experiência que ensinou muitas coisas para vida.

“Depois participei de concurso de modelo pra loja, até que surgiu o concurso de Miss em Aquidauana, eu sou de Aquidauana, mas nessa época morava no pinheiro entre Miranda e Aquidauana. Foi belíssimo, participei com ginásio lotado, torcida, fiquei em segundo lugar”.

E como nem tudo são flores, após a derrota de Cristina, o público começou a questionar o resultado, dizendo se tratar de ‘marmelada’ e injustiça com sua beleza.

(Foto: Arquivo Pessoal)

“Estava presente o prefeito de Bonito, após o resultado, o pessoal começou a falar que era marmelada, quando eu perdi, foi aquela comoção, todo mundo achando que era injustiça. Daí eu e meus pais fomos abordados por esse prefeito e sua equipe e falaram que lá no município deles não tinham. Meu pai sentou pra conversar, eles falaram que iam dar apoio, que eu era linda, tinha perfil, e não é que eu fui?!”, lembra entre risos.

Cristina descreve como experiência única, impar em sua vida. Em Campo Grande, ela foi para confinamento com outras candidatas, fez diversos testes de etiqueta, postura e oratória.

“Eram mais rígidos os padrões de etiqueta e beleza. Tinha que saber se portar. Uma semana de testes, roupa de gala... Eu usei um vestido tafetá de seda branca, tecidos que se davam valores. No dia do desfile foi bem legal, desfilamos, viramos amigas”, diz saudosa.

Com apenas 14 anos, a empresária tinha um obstáculo pela frente, apesar da beleza e simpatia, Cris tinha apenas 1,58 de altura, estatura fora do estimado para profissionais das passarelas.

(Foto: Arquivo Pessoal)

“As outras tinham 1,70 de altura, eu não tinha condições de ser Miss, então me apelidaram de Mini Miss. Eu tinha a beleza e a simpatia, tanto que entre as participantes ganhei o concurso de Miss simpatia do MS. Recebi muitas propostas de revistas para ser modelo fotográfica, só que eu era muito nova, fazia trabalhos aqui no Estado mesmo, meus pais não conseguiam me acompanhar em tudo, precisavam trabalhar, e eu estudar, foi aí que parei aos 17 anos, tinha acabado de entrar na faculdade”.

No entanto, se tem uma coisa que Cristina diz nunca perder é o bom gosto. Segundo ela, aquele olhar de quem lidou com a beleza ficou na veia, tanto que ainda hoje rende diversos convites para concursos, só que agora como jurada.

“Até hoje me chamam, Carnaval, jurada de concurso de beleza. Foi uma experiência linda que tive e me ensinou tanta coisa, principalmente que beleza não é tudo”, finaliza.

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