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José se reinventou no esporte após perder perna em acidente e agora é exemplo de superação

Atleta do time de amputados visitou menino Marcos no hospital e mostrou que sonho de jogar futebol não está perdido

13 fevereiro 2020 - 07h00Por Nathalia Pelzl

O estoquista e atleta José Luiz Cramonisch de Oliveira Júnior, 29 anos, viu sua vida mudar da água para o vinho após um acidente de trânsito em 2015. No auge da sua juventude, ele perdeu uma perna.

“Foi no dia 18 de outubro de 2015, sofri um acidente de moto em uma imprudência de trânsito, um carro veio fazer uma conversão na contramão e me atingiu. Minha perna praticamente saiu na hora, não teve o que fazer”, lembra.

Para superar e administrar a nova realidade, José entrou no esporte. “Nos primeiros três meses de amputado entrei no atletismo, lançamento de dardo e arremesso de peso, fui pra Brasília com 5 meses de amputado e já vieram as primeiras conquistas: Ouro no dardo e terceiro lugar no peso, além de várias viagens e medalhas depois disso. Cheguei a ficar em 4º melhor do Brasil no dardo”, lembra.

Apesar das vitórias e do excelente desempenho na categoria, o estoquista lembra que o sonho de quando era menino falou mais alto e ele acabou se rendendo ao futebol.

“O amor maior sempre foi o futebol, conhecia o pessoal de São Paulo que jogava o futebol de amputados e fui pesquisando, vendo com o pessoal lá como funcionava. Foi aí que falei 'vou montar um jogo pra brincar aqui com os amputados que eu conhecia'. A princípio, seria apenas uma brincadeira...”.

Porém, como tudo que é feito com amor prospera, esse projeto não seria diferente. “Foi aparecendo mais amputado e, do nada, viramos uma equipe, hoje, formada com 12 atletas e 4 na comissão técnica. Segunda, quarta e sábado treinamos. Agora, em abril, terá uma competição em São Paulo, a Copa do Brasil, e nós vamos estar lá”, garante. Os atletas jogam com o apoio de uma muleta.

Apoio para criança que perdeu perna em acidente

Nas últimas semanas, José conta que reviveu todo o sentimento de quando perdeu a perna, ao visitar o pequeno Marcos Wellyton da Silva Oliveira, 7 anos, que foi atropelado por um ônibus e teve a perna direita amputada.

“Tenho uma filha que vai fazer 7 anos, passou um filme na cabeça quando vi a matéria dele. Fomos lá com o nosso time de Amputados, levar um pouco mais da nossa história. Levei uma camisa do Flamengo pra ele, que ficou todo feliz. Levamos uma camisa da torcida do nosso time também”.

Quase um mês após o acidente, a mãe de Marcos, Naira Helena da Silva, 27 anos, diz que o filho recebeu acompanhamento psiquiátrico e, com a nova medicação, agora consegue dormir durante toda a madrugada.

“Antes ele acordava gritando no meio da noite, falava do ônibus, da perna, agora que ele está medicado, ele está mais calmo. Ele recebeu a visita do time, eles mostraram para ele, disseram que ele poderá continuar jogando bola quando terminar todo o tratamento. Daquele dia para cá, ele não falou mais nada da perninha”, diz a mãe.