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há 1 hora

Nem chuva e frio espantam devotos de realizar ritos de São João no Porto Geral de Corumbá

Banho de São João é uma das celebrações mais tradicionais de MS e Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

Chuva e frio não atrapalharam os festeiros de Corumbá, que se mantiveram firme na tradição do Banho de São João, realizada na madrugada desta quarta-feira (24), onde a população desde a Ladeira Cunha e Cruz, no Porto Geral, carregando os coloridos andores para realizar o banho da imagem de São João Batista nas águas do Rio Paraguai. 

Guiados pelas bandeirolas que enfeitavam o caminho até o rio, os festeiros percorreram o tradicional corredor formado por mais de 100 andores, mantendo viva uma manifestação de origem portuguesa que atravessa gerações e se repete todos os anos durante a celebração do santo junino, conforme o portal Diário Corumbaense.

A festa, que faz referência ao batismo de Jesus por João Batista nas águas do rio Jordão, tornou-se uma marca da identidade cultural de Corumbá, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2021. A celebração começa ainda nas casas dos festeiros, onde são preparadas comidas típicas, realizadas orações e agradecimentos pelas bênçãos recebidas. Muitos devotos também aproveitam o momento para cumprir promessas ou renovar pedidos de proteção. 

 

Passar sete vezes por baixo do andor de São João também é uma das simpatias mais famosas e divertidas da festa em Corumbá. Ela mistura a devoção religiosa com o folclore popular pantaneiro. O principal mito garante que a pessoa solteira que passar por baixo de sete andores diferentes conseguirá um casamento na certa no próximo ano.

Já nas margens do rio, a emoção toma conta dos participantes durante o banho da imagem, quando fiéis entram na água, fazem pedidos e agradecem pelas graças alcançadas. A celebração mistura religiosidade, cultura popular e manifestações tradicionais, em um encontro que reúne diferentes expressões de fé. Após o banho, os andores retornam às casas dos festeiros pela Ladeira Cunha e Cruz, onde permanece a tradição de cumprimentar aqueles que seguem no caminho contrário, fortalecendo os laços de uma festa que faz parte da história de Corumbá.

Tradição 

Os primeiros registros do Banho de São João em Corumbá e Ladário são datados do final do século XIX em jornais da época que já relatavam a forma singular dos festejos juninos nas duas cidades pantaneiras.  Estudiosos afirmam que os festejos reúnem uma miscelânea de influências de povos, entre eles, os árabes e portugueses. Também marcam os festejos, o sincretismo religioso, sobretudo entre o catolicismo e as religiões de matrizes africanas. 

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