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13/06/2026 17:51

Rapadura, cocada e bolo de mandioca: sabores da Tecnofam despertam memórias familiares

Produtores da agricultura familiar transformam receitas herdadas de gerações em renda, identidade cultural e lembranças afetivas

Mais do que alimentos, os produtos comercializados na Feira da Agricultura Familiar da Tecnofam 2026 carregam histórias, memórias e tradições passadas de geração em geração. Entre rapaduras, cocadas e bolos de mandioca, produtores rurais de Mato Grosso do Sul mostram que o sabor também pode ser uma forma de preservar a cultura e a identidade do campo.

Para muitos visitantes, a experiência vai além da degustação. A agricultora familiar Cristiane Paula Moraes Vilasboas, do Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, conta que a rapadura produzida pela Estância Engenho despertou lembranças da infância. “Hoje é difícil encontrar produtores que fabriquem rapadura, melado ou mesmo garapa. Quando encontramos uma produção como essa, ficamos muito felizes porque ela resgata experiências vividas na infância”, afirmou.

A aposentada Rosilda dos Santos Araújo, de Ribas do Rio Pardo, também encontrou na feira uma mistura de novidade e nostalgia. Acostumada ao doce tradicional, ela se surpreendeu com versões de rapadura sabor café e limão. “Lembro do meu pai comendo rapadura com farinha, dos meus avós e da minha infância. Hoje estou levando a de café, que foi uma novidade para mim”, contou.

Do lado de quem produz, a ligação entre sabor e memória também é evidente. Adenilda Dantas de Medeiros, da Estância Engenho, afirma que a rapadura dificilmente passa despercebida pelas lembranças afetivas de quem a experimenta.

Receitas que atravessam gerações

No Quilombo São Miguel, em Maracaju, a produtora Joaquina Melo Gonçalves Flores Pereira mantém viva uma tradição herdada da avó, também chamada Joaquina. As cocadas produzidas por ela seguem receitas antigas, preservadas dentro da comunidade quilombola.

Segundo a produtora, as histórias contadas pela avó continuam presentes em cada preparo, incluindo a narrativa sobre a origem da cocada, criada a partir da mistura entre coco e melado de cana durante o período da escravidão.

Já em Deodápolis, Clarice Gonçalves de Souza aprendeu ainda criança a produzir açúcar mascavo, melado e rapadura no engenho da família. Assistida pela Agraer desde 1989, ela vê nas receitas uma forma de manter viva a história construída por pais e avós.

Em Dourados, Fernanda Bastos aposta na continuidade do legado familiar. O tradicional bolo de mandioca, aprendido com uma das irmãs, já está sendo ensinado aos filhos. “Tudo o que eu faço eles fazem também. Meu filho de 12 anos já consegue preparar a maioria das receitas”, contou.

Muito além da alimentação

As histórias reunidas na Tecnofam mostram que a agricultura familiar produz muito mais do que alimentos. Cada produto vendido representa conhecimentos transmitidos ao longo das gerações, fortalecendo a cultura rural e criando oportunidades de renda para famílias do campo.

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