Considerado a memória viva de Mato Grosso do Sul, o fotógrafo Roberto Higa relembra momentos decisivos que acompanhou ao longo de mais de 50 anos de trabalho. Entre eles, a divisão do antigo Mato Grosso, registrada por ele tanto em Cuiabá, quanto em Campo Grande.
Higa conta que viveu de perto a movimentação política que marcou o surgimento do novo estado, acompanhando a tensão entre as regiões e a expectativa da população sul-mato-grossense por oportunidades. "Inclusive, eu não fui a Brasília porque eu estava em Cuiabá, e justamente fazendo isso, fotografando os últimos momentos, sabe, de Cuiabá como a capital do estado."
O fotógrafo afirma que sua obra nasceu de um sentimento de amor profundo pelo território onde nasceu e cresceu. Para ele, preservar a história depende de um vínculo afetivo com a terra. Higa destaca que o estado ainda carece de um senso mais forte de pertencimento, especialmente entre as novas gerações, e defende que esse sentimento deve ser fortalecido para que cidadãos se reconheçam como parte ativa do desenvolvimento regional. "Você tem que ter amor, entendeu? A necessidade de registrar. E nós precisamos disso. Criar esse sentimento de Campo Grande, de Sul de Mato Grosso, afirma"
Mesmo após enfrentar problemas de saúde nos últimos anos, como Alzheimer, AVC e um diagnóstico de câncer, Higa continua fiel ao compromisso de registrar a identidade sul-mato-grossense, posto que mesmo com essas adversidades na saúde, nada o parou nem o impediu de fotografar durante a "tempestade". "Alguém precisa fazer isso. E eu me escolhi para isso, porque é o que eu falo: você pode gostar de Campo Grande e do estado de Mato Grosso do Sul tanto quanto eu, mas não mais do que eu."
Ele diz que a motivação para seguir fotografando é o amor pela cidade natal e por Mato Grosso do Sul, sentimento que descreve como sua missão. Apesar das limitações impostas pela saúde, afirma que ninguém pode tirar dele a ligação com o lugar onde nasceu.
Legado
Atualmente, a trajetória do fotógrafo está sendo retratada em um filme dirigido por Conrado, cuja produção começou em 2012. Higa diz que ainda não assistiu ao material e prefere ver o resultado final no cinema, junto ao público, para vivenciar a emoção completa. Ele também revela o desejo de publicar um novo livro.
No encerramento, Higa deixou um recado ao público: cultivar amor e respeito por Campo Grande e por Mato Grosso do Sul. O fotógrafo defende que moradores locais ocupem mais espaços de decisão e lembra que amar implica cuidar, preservar e participar ativamente da vida da cidade e do Estado. Ele reforça que tudo o que a região precisa é de mais amor, sentimento que guiou sua carreira e suas escolhas ao longo de mais de cinco décadas.
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