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Santa Casa prevê restringir atendimentos em meio a dívida de R$ 810 milhões (vídeo)

Sem acordo com o poder público, hospital pretende priorizar urgências e emergências com possível redução de leitos e especialidades

Durante entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (15), o superintendente provisório da Santa Casa de Campo Grande, Luiz Alberto Hiroki Kanamura, anunciou que o hospital pretende restringir os atendimentos de urgência e emergência em aproximadamente 24 horas. A medida ocorre em meio ao impasse nas negociações do novo contrato com o poder público, dificuldades financeiras e atrasos nos pagamentos de fornecedores e equipes médicas. 

Luiz Alberto conta que, por não ter chegado a um acordo sobre a adequação financeira necessária para manter os serviços, a instituição optou por não assinar o novo contrato. A proposta é reorganizar a estrutura hospitalar de acordo com o orçamento apresentado pelo município e pelo estado. “Reduzindo o serviço, reduzindo especialidades, leitos.”

Atualmente, a dívida da Santa Casa é estimada em R$ 810 milhões, valor que ultrapassa em R$ 17 milhões o valor da última auditoria da PGE (Procuradoria Geral do Estado), apontado em mais de R$ 792 milhões. Parte do valor já teria sido negociada junto à Caixa Econômica Federal.

Durante a entrevista, a direção mencionou um gasto de mais de R$ 54 milhões por mês, com aporte mensal de R$ 35 milhões, sendo, destes, cerca de R$ 32 vindos do SUS (Sistema Único de Saúde) e aproximadamente R$ 3 milhões dos atendimentos privados. 

O novo contrato proposto tem previsão de repasses na ordem de R$ 37.418.500, ao passo que o valor atual é informado como R$ 32.829.000. Apesar disso, a gestão afirmou que não houve acordo em relação à adequação financeira necessária para manter a estrutura de atendimento. 

Especialidades priorizadas e restrições

Entre as especialidades que devem ser priorizadas estão o atendimento a politraumatizados; neurocirurgia; neurologia clínica; ortopedia; cardiologia clínica e cirúrgica; cirurgia vascular e grandes queimados, que, segundo o dirigente, são consideradas áreas essenciais, sendo que algumas delas têm atendimentos tanto da Capital quanto do interior concentrados na Santa Casa. 

Já a restrição também prevê transferência de pacientes que possam ser atendidos em outras unidades hospitalares. Entretanto, até o momento da entrevista, não havia uma estimativa do número de pessoas que poderiam ser encaminhadas para outros hospitais.

A direção relatou atrasos nos pagamentos de fornecedores e equipes médicas, o que estaria provocando pedidos de desligamento de profissionais e ameaçando a continuidade de algumas especialidades. A folha de funcionários contratados pelo regime CLT, no entanto, estaria em dia. 

A restrição dos atendimentos não tinha prazo definido para terminar. Segundo a direção, a intenção é concentrar os recursos nos pacientes que necessitam de assistência imediata e nos serviços especializados que não podem ser absorvidos por outras unidades da rede.

Questionado sobre as cirurgias cardíacas congênitas (cirurgias cardíacas pediátricas), Luiz Alberto afirmou que foi solicitado o descredenciamento temporário (suspensão) e que, embora não haja previsão para que a Santa Casa volte a realizar o procedimento de forma plena, o intuito é fazer com que isso ocorra o mais breve possível. 

Também foi mencionado que o hospital teria recebido ajuda do estado por meio de um convênio de R$ 4 milhões para a aquisição de materiais e insumos. Porém, ainda assim, a direção afirma que não dispõe de recursos suficientes para manter todos os serviços na estrutura atual. 

A equipe técnica pretende apresentar, na próxima semana, uma proposta de adequação dos serviços ao orçamento disponível. “Nós temos que reduzir os serviços de forma que atendam à necessidade do estado e do município e, com esses serviços, a Santa Casa receba uma remuneração que seja compatível para ela prestar.”

A negociação com o estado e o município continua, e uma nova audiência judicial depende de agendamento do juiz. 

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