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Campo Grande

há 50 minutos

Após desgaste com corte, Prefeitura envia projeto para incorporar vale ao salário na Saúde

Medida celebrada pelo Executivo como "valorização" ocorre quatro dias após decreto que reduziu o auxílio-alimentação da categoria e previu sua extinção até 2028

Após a repercussão negativa gerada pela redução drástica do auxílio-alimentação dos servidores da Saúde, a Prefeitura de Campo Grande apresentou nesta sexta-feira (25) um projeto de lei que incorpora a bolsa-alimentação ao vencimento-base de técnicos em radiologia e de imobilização ortopédica. A medida foi encaminhada à Câmara de Vereadores sob um discurso oficial de valorização profissional, em evidente contraste com o recente enxugamento de benefícios imposto ao funcionalismo.

O projeto de lei surge apenas quatro dias após o Executivo publicar no Diogrande (Diário Oficial), na última segunda-feira (21), um decreto que atingiu diretamente o bolso dos servidores efetivos. A regra determinou a queda do auxílio-alimentação de R$ 600 para R$ 400 a partir de novembro deste ano. O texto prevê ainda uma nova redução para R$ 200 em novembro de 2027 e a revogação definitiva do benefício em abril de 2028.

Apesar do contexto de perdas recentes, o ato de assinatura do novo projeto foi marcado por discursos de comemoração. A prefeita Adriane Lopes (PP) classificou a incorporação gradual do valor ao piso salarial como uma "valorização devida e merecida", destacando o caráter essencial do trabalho prestado. O tom foi ecoado por representantes das categorias, que celebraram o fato de que, ao ser incorporado, o valor passará a contabilizar para a aposentadoria.

A manobra para mitigar a insatisfação dos servidores ocorre em meio a justificativas financeiras conflitantes por parte do município. Desde o ano passado, a Prefeitura alega estrangulamento das contas. Durante recentes prestações de contas, o secretário de Saúde, Marcelo Vilela, justificou a falta de medicamentos, o atraso no pagamento de fornecedores e a escassez de médicos argumentando que o sistema sofre de "subfinanciamento", apesar de o município afirmar aplicar 30,62% de sua arrecadação na área.

No entanto, as medidas de austeridade aplicadas sobre os vencimentos da saúde coincidem com a entrada de recursos federais. Apenas no início deste mês, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) foi notificada sobre mais de R$ 13 milhões em repasses do Fundo Nacional de Saúde.

O montante inclui R$ 6,99 milhões para nefrologia e ações estratégicas, além de R$ 6,03 milhões referentes à assistência financeira complementar da União para o pagamento do Piso da Enfermagem, vigilância sanitária e atenção primária. Embora a verba federal tenha destinações específicas e não configure caixa livre para o pagamento do vale-alimentação, os repasses evidenciam que a manutenção mínima da rede depende cada vez mais do socorro da União.

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