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Campo Grande

23/08/2018 17:00

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Atendentes substituem farmacêutico e entregam anticoncepcional errado no Los Angeles

Prefeitura diz que ato é legal baseado em nota de Conselho de Secretarias Municipais de Saúde

Ao menos três servidores administrativos da saúde foram flagrados por uma paciente trabalhando no lugar da farmacêutica, na Unidade de Saúde Básica da Família – Sebastião Luiz Nogueira, no Jardim Los Angeles, em Campo Grande. No último caso, a denunciante quase levou para casa um anticoncepcional errado. Como lactante, ela poderia ter o leite cortado se não tivesse observado o erro.

A mulher, que preferiu não se identificar, conta que teve um anticoncepcional especial receitado pelo médico, já que os tradicionais poderiam cortar o leite do bebê. E para surpresa dela e do esposo, havia uma atendente no lugar da profissional capacitada para atender a população.

''Não é a primeira vez. Já vi um rapaz do setor de marcação de consultas trabalhando ali. Também tem um homem, que acho que é gerente da unidade, fica ali quando a farmacêutica não está'', relata.

Segundo ela, o atendente ia entregar o medicamento errado. Por sorte, o esposo dela notou o erro e pediu a troca. ''E se eu engravido? Quem vai bancar os custos? E se o leite corta, quem vai comprar suplemento?”, questiona a mãe.

Além de desfalcar o setor de marcação de consultas para atuar em outro, a situação se torna grave já que a atuação de farmacêutico demanda conhecimento específico e um medicamento trocado pode causar intoxicação grave a até a morte.

''Nós temos um conhecimento mínimo sobre remédio, e quem não tem?'', concluiu a denunciante.

Prefeitura diz que troca é legalizada

No entanto, a prefeitura diz que o procedimento é legal, utilizando como base nota técnica do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, o Conasems.

Segundo a assessoria da Prefeitura, ''a dispensação de medicamentos nas unidades básicas de saúde não é ato exclusivo de farmacêuticos, conforme deliberado em ata e publicado em nota técnica do Conselho Nacional de Secretarias Municipal de Saúde (CONASEMS) no que se refere à presença de farmacêutico nos dispensários públicos".

“Portanto, todo o profissional lotado na unidade de saúde, inclusive o gerente, pode realizar a entrega de medicamentos, com exceção de psicotrópicos e antibióticos. Esses só podem ser dispensados por farmacêuticos. Os medicamentos só são entregues com receita médica, portanto o profissional entrega o que está sendo solicitado”, destaca.

Ainda de acordo com a nota, a Sesau diz que não faltam farmacêuticos na cidade e que Campo Grande possui a maior quantidade de profissionais lotados na rede pública do país, conforme teria sido atestado pelo Conselho Federal de Farmácia.

A Prefeitura não fez nenhum questionamento acerca da quase entrega de medicamento errado na unidade. 

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