O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, sem restrições, a compra das quatro empresas que integram o Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, pelo Grupo HP Mobilidade, de Goiânia (GO). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 8 de outubro.
O despacho nº 1.307, referente ao Ato de Concentração nº 08700.009319/2026-62, autoriza a operação do ponto de vista concorrencial. A aquisição envolve a Maas Administração e Participações Ltda., empresa criada pelo grupo comprador, e as viações Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Campo Grande e São Francisco.
Apesar da aprovação federal, a transferência do controle das empresas ainda depende da autorização da Prefeitura de Campo Grande. A prefeita Adriane Lopes (PP) já afirmou que a conclusão do negócio está condicionada à apresentação de medidas para melhorar o transporte público da Capital.
Entre as exigências estão a renovação da frota de ônibus, a inclusão de veículos com ar-condicionado e melhorias nos terminais. A administração municipal também cobra propostas concretas e prazos para a execução dos investimentos.
A aprovação do Cade não significa, portanto, que o Grupo HP já assumiu a operação nem que as melhorias para os passageiros foram executadas.
Negociação foi anunciada em julho
A negociação foi anunciada em julho de 2026, após a confirmação da venda pela prefeita. O contrato de compra e venda foi firmado em 18 de julho.
A Maas Administração e Participações foi criada para concentrar as participações nas quatro empresas de transporte. A companhia integra a estrutura do Grupo HP, que já atua no setor de mobilidade urbana em outras regiões do país.
A aquisição ocorre em meio à intervenção administrativa da Prefeitura no Consórcio Guaicurus, iniciada diante de problemas na prestação do serviço e questionamentos sobre a situação financeira da concessionária.
Um relatório preliminar da intervenção apontou que, em 2025, apenas 74,5% das viagens programadas foram realizadas. O levantamento também registrou idade média da frota de 10,4 anos e mais de 21 mil autuações relacionadas à operação, conforme dados divulgados pelo setor de transporte.
As empresas, por sua vez, contestam aspectos da intervenção e atribuem parte das dificuldades ao desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão.








