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Campo Grande

Para campo-grandenses, ser mesário de forma obrigatória não é democracia

Entrevistados pelo TopMídiaNews dizem que a obrigação é uma 'violação dos direitos dos cidadãos'

19 agosto 2018 - 11h30Por Anna Gomes

Quem mora em Campo Grande não se agrada muito ao ser ‘forçado’ a ser mesário nas eleições de 2018. Mesmo com dispensa no trabalho, os entrevistados pelo TopMídiaNews acreditam que a ação deveria ser voluntária e não obrigatória pela Justiça Eleitoral.

“Sou obrigado pelo Estado a doar todo o meu domingo na eleição, além do tempo de treinamento para ser mesário? Que governo democrático é esse?”, disse José Avancine, 83 anos.

Para o aposentado Antônio Amorim, 75 anos, com a obrigação de ser mesário, os direitos dos cidadãos são violados. “Já fui convocado e tentei dizer que não queria, mas fui informado que minha presença era obrigatória e, para piorar, teve o segundo turno das eleições, que também tive que participar contra a minha vontade. Isso é democracia? Se for, tem algo errado”, destacou.

O mesário é um dos auxiliares de eleição convocados pela Justiça Eleitoral. A função é colaborar com o funcionamento do processo eleitoral no dia da eleição. Ele é responsável pela organização da seção e pelo bom atendimento ao eleitor.

A convocação dos mesários é feita por meio do envio de cartas convocatórias da Justiça Eleitoral para os eleitores. Caso o eleitor não possa atuar como mesário, deve apresentar justificativa. Se o mesário tiver imprevisto no dia da eleição e não puder comparecer à seção deve justificar ausência em até 30 dias.

Para Luiz Antônio, 47 anos, o que dificulta é a situação política que o Brasil está enfrentado. “Não estamos mais acreditando em mudanças. É tanta corrupção que parece que estamos deixando de ser patriotas. Quem vai querer trabalhar em um dia de eleição sabendo que, de certa forma, estará tralhando para alguém que vai nos roubar? Na minha opinião, se os políticos não nos roubassem, teríamos orgulho de trabalharmos para o Estado, mesmo que fosse de forma gratuita, mas como o Brasil está, nossa vontade infelizmente é de desistir”, lamentou.

A secretária Fernanda Barbosa, 35 anos, diz que não está querendo nem votar nas próximas eleições, piorou ser mesária. “Perdi até a vontade exercer meu papel de cidadã. Sinto vontade de nem votar mais, pois não vejo mudanças, piorou ter que passar meu domingo como mesária”.