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Campo Grande

há 54 minutos

Ciclista cai em ciclovia sem manutenção e enfrenta falta de medicamentos na Santa Casa

O empresário se machucou na Avenida Nelly Martins e agora aguarda cirurgia enquanto enfrenta dores intensas

A falta de manutenção de uma ciclovia localizada na Avenida Nelly Martins, em Campo Grande, quase causou um acidente fatal no último sábado (26). Machucado, o empresário agora encara outro problema: a falta de medicamentos na Santa Casa, enquanto aguarda, com muita dor, por mais uma cirurgia no hospital.

O cabeleireiro contou ao TopMídiaNews que saiu de casa por volta das 5h30 de sábado para fazer a pedalada de rotina. Porém, acabou caindo na ciclovia ao bater com a roda do veículo na raiz de uma árvore que cresceu demais, invadiu a calçada, a pista de rolamento e, segundo sua avaliação, pode invadir a rua logo mais.

“A raiz de uma árvore tomou conta da calçada e devia ter cortado essa raiz. Não foi cortada. Se não tomar providência, outro ciclista vai cair no mesmo local. Eu levei sorte”, relatou.

O empresário sofreu fraturas no braço, ferimentos abrasivos no corpo e chegou a ferir ainda a cabeça, precisando ser socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levado para a Santa Casa. Ele passou por uma cirurgia de emergência no braço, mas ainda aguarda avaliação de um especialista em cotovelo e, segundo o relato, uma nova intervenção para tratar outras lesões.

“Eu só não perdi a vida porque estava de capacete. Minha cabeça trincou por dentro, machuquei o braço e estou aqui aguardando os procedimentos”, disse.

Ciclovia já tinha previsão de revitalização

A situação ocorre justamente em um trecho que está incluído em um projeto de revitalização das ciclovias de Campo Grande. Em junho, a Prefeitura concluiu uma licitação de R$ 4,6 milhões para intervenções em quatro avenidas e um parque. Entre os locais contemplados está a Avenida Nelly Martins, além do Parque Ecológico do Sóter.

O projeto, dividido em três lotes, previa R$ 817,9 mil para o trecho da Nelly Martins e o parque. Na ocasião, ainda não havia prazo definido para o início dos serviços, pois os contratos dependiam de assinatura e emissão das ordens de serviço.

Falta de remédio para dor na Santa Casa

Internado na Santa Casa, o cabelereiro afirma que enfrenta agora outro problema: a dificuldade para controlar a dor.

Sem medicamentos adequados, os quadros de dor estariam sendo contidos por dipirona. No entanto, a duração do remédio e também sua finalidade não estariam sendo eficazes.

Como trabalha como cabeleireiro e depende dos movimentos dos braços para exercer a profissão, a situação também coloca em risco sua fonte de renda.

“Eu sou cabeleireiro, dependo do meu braço para comer, trabalhar. Essa demora para a cirurgia só atrapalha tudo”, afirmou o paciente.

Crise da Santa Casa já é acompanhada pelo MPMS

A reclamação ocorre em meio a uma crise que já vem sendo acompanhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Em setembro, o MPMS informou que adotou medidas para evitar a desassistência na Santa Casa e citou, entre os problemas a serem enfrentados, a necessidade de recomposição dos estoques de medicamentos e materiais hospitalares, além da superlotação do pronto-socorro.

O Ministério Público também informou que reuniões emergenciais realizadas em agosto trataram do risco de desabastecimento de medicamentos, gases medicinais, insumos e serviços laboratoriais.

A própria Santa Casa reconheceu publicamente que enfrenta desequilíbrio econômico-financeiro e afirmou que a situação impacta a manutenção de equipes, medicamentos, insumos e materiais.

Em setembro, profissionais também relataram ao MPMS e ao Conselho Regional de Medicina preocupações com atrasos salariais, falta de insumos e medicamentos e dificuldades para o exercício das atividades médicas.

Para Vanderlei, o problema vai além da própria recuperação. Ele teme não conseguir voltar ao trabalho enquanto não tiver o braço recuperado.

“É duro porque já aconteceu uma fatalidade com uma árvore que matou uma pessoa. Eu acho que a fiscalização da prefeitura deveria ter sido mais efetiva”, afirmou.

Diante da situação, a reportagem procurou a prefeitura para falar sobre a ciclovia e a falta de manutenção. Além disso, entrou em contato com a Santa Casa para tratar a respeito da falta de medicamentos e demora para a cirurgia do paciente. No entanto, até a publicação desta matéria, não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

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