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Campo Grande

Conselho Municipal de Saúde afirma que não é 'tão fácil' Santa Casa deixar de atender SUS

Afirmação é resposta ao presidente do maior hospital de Mato Grosso do Sul

16 janeiro 2019 - 17h37Por Nathalia Pelzl

Declaração dada pelo atual presidente da Santa Casa, Esacheu Nascimento, de que  o hospital estuda a hipótese de sair do  SUS (Sistema Único de Saúde) se a tabela de preços não for alterada, preocupou o Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande. Segundo a coordenadora do local, Maria Auxiliadora Villalva Fortunato, Esacheu foi ‘infeliz’ na sua colocação e aguarda retratação sobre o assunto.

Em entrevista na tarde desta quarta-feira (16), ela reforçou que a fala do presidente, impacta diretamente no atendimento da população, que fica com medo e preocupada pelo rumo do hospital, que atualmente é referência em Campo Grande.

(Foto: Wesley Ortiz)

“As pessoas ficam com medo receio, e ele disse que se não houver um reajuste na tabela SUS em um período curto, o hospital não poderia atender. O conselho ficou muito preocupado, por que como as pessoas vão ficar desassistidas? Nossa função é fiscalizar, acompanhar as ações e serviços da saúde”, comenta.

Tabela-SUS é o valor repassado aos hospitais pelo atendimento gratuito. Há muitos anos sem atualização, paga valores abaixo do que os praticados pelo  mercado e os hospitais acabam arcando com a maior parte do preço dos tratamentos. A reclamação é unânime, inclusive com proposta de mudanças encabeçada pelo governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB).

(Foto: André de Abreu)

Esacheu alegou que são dez anos trabalhando sem o reajuste e que nesse tempo a inflação não parou. “Nós estamos nos virando, fazendo uma gestão, temos uma sala de controle. Essa posição do governo do Estado sobre essa taxa é bem-vinda e ele tem autonomia junto ao Governo Federal para essa atualização. Vivemos em um subfinanciamento do SUS, então tem que rever essa taxa, existe a necessidade de atualização desses valores, não só de agora pra frente, mas para reaver esses déficits que se acumularam durante esses 10 anos”, reforça.

Atualmente, 85% dos recursos que mantém o hospital vêm do SUS. “O SUS que paga a água e luz da Santa Casa”, disse a coordenadora do conselho, que afirmou estar tentando agendar com Esacheu para abordar a questão.  Segundo ela, a saída do hospital do SUS  implicaria um caos no atendimento, ela conta que além da Tabela-SUS, a Santa casa recebe outros auxílios por se tratar de um local de referência.

“A Santa Casa pode estar passando por uma situação econômica difícil, mas ela não está nessa sangria desatada também, de falar que não vai mais prestar serviços para sociedade”, reforça.

Sebastião de Campos Arinos Júnior, é membro do Fórum de usuários do SUS, e acalma a todos, dizendo que não seria tão simples assim, essa saída devido a uma decisão judicial de 2011.

“Se caso houver esse rompimento, a primeira medida que o conselho deve tomar, será de solicitar judicialmente o ressarcimento dos investimentos ali feitos. Por exemplo, o hospital do trauma, entre outros como a questão de equipamentos que foram adquiridos no SUS”.

(Foto: Wesley Ortiz)

Ele reforça ainda que esse ressarcimento seria em favor da União. “É um prédio que se parar hoje de atender pelo SUS, esse prédio vai pra União, Estado ou o Município. Então, não é tão fácil assim a Santa Casa falar que vai deixar o SUS, até porque o SUS pode requerer os bens”, comenta.