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Campo Grande

Ex-namorada desmente versão de jovem que matou casal de idosos no trânsito em Campo Grande

Réu disse não conhecer bem as vias da Capital, mas garota disse que ele era motorista

27 agosto 2018 - 18h37Por Thiago de Souza e Kerolyn Araújo

A primeira audiência de instrução de Saulo Lucas Barbosa Vieira, 27 anos, acusado de matar um casal de idosos no trânsito, em junho deste ano, foi marcada por contradições, nesta segunda-feira (27). A ex-namorada dele contou que Saulo conhecia muito bem as ruas de Campo Grande, ao contrário do que ele disse, para justificar ter transitado na contramão.

O réu é acusado de dirigir embriagado, na contramão, na rua Marechal Rondon, perto da Avenida Calógeras e bater no carro de Luis Vicente da Cruz, 69, que estava ao lado da esposa, Aparecida Souza Cruz, 59 anos, na madrugada de 15 de junho. Os dois carros capotaram e o casal morreu.

Os depoimentos ocorreram na 2ª Vara do Tribunal do Júri, ao juiz Aloísio Pereira dos Santos, no Fórum de Campo Grande. Quatro testemunhas, entre eles dois policiais militares contaram suas versões do acidente.

O funcionário de um hotel na rua Marechal Rondon diz que estava na recepção do estabelecimento e, por meio da porta de vidro, viu o vulto de um carro passando em alta velocidade e na contramão. Em seguida ele ouviu dois barulhos: o primeiro do carro passando pela lombada e o segundo da batida no carro das vítimas.  

O homem acrescenta que, quando saiu para ver o que era já viu os dois veículos capotados. Ele disse que no local é comum ver carros passando em alta velocidade, mas não na contramão.

Uma outra testemunha, ouvida na condição de informante, disse que foi namorada de Saulo em Ribas do Rio Pardo e que o reencontrou tempos depois em Campo Grande. Ela relembra que no dia 14 de junho, uma quarta-feira, saiu do trabalho e foi para a casa dele, na avenida Duque de Caxias.

A mulher conta que  deixou a casa do então namorado por volta de 22h40 e não o viu beber. Saulo teria contado a ela que era motorista e entregava frangos em supermercados de Campo Grande. A versão dele é de que entrou na contramão por não ser da cidade e conhecer bem as vias da Capital.

Outro ponto controverso é que Saulo disse à polícia ter passado a madrugada inteira com a ex, fato negado por ela.

O réu apresentou outra versão para ter trafegado na contramão. Ele disse ter visto uma moto atrás do carro dele e ficou com medo e fugiu, por isso trafegou no sentido contrário da via.

Filha do casal diz que pais merecem justiça. (Foto: Wesley Ortiz)

Fernanda de Souza Cruz, filha das vítimas, disse que na madrugada do acidente o pai levava a mãe para o trabalho e que ele sempre foi extremamente correto no trânsito, respeitando a velocidade da via. Ela destaca que Saulo já cometeu outro crime de trânsito nas mesmas circunstâncias no interior do estado.

''Queremos justiça. É o mínimo que meus pais merecem. A família sabe que o Saulo estava embriagado e que ele já era reincidente nesse crime'', disse Cruz.

Dois policiais militares que atenderam a ocorrência disseram que Saulo se recusou a fazer o teste do bafômetro.

Advogada nega que cliente estivesse embriagado. (Foto: Wesley Ortiz)

A advogada de defesa, Cleuza Mongenot, quer que o crime seja julgado como homicídio culposo, porque ''ninguém sai de casa dirigindo para matar no trânsito''. Ela diz que o laudo da perícia diz que ele estava na contramão, em alta velocidade, mas não há laudo que comprove embriaguez.

A defensora destacou que, seu cliente não estava embriagado no acidente que causou em Ribas do Rio Pardo e promete que vai provar o fato.