A família da pequena Karoline Rebeca Lopes de Arruda, de 7 anos, enfrenta uma batalha para conseguir uma cirurgia de quadril para a menina, que possui paralisia cerebral e microcefalia. Moradora do Conjunto Aero Rancho, em Campo Grande, a mãe, Luana Caroline Lopes, 29 anos, conta que a filha aguarda o procedimento desde 2022, mas a cada ano a situação se agrava.
Segundo a mãe, além do quadril fora do lugar, que causa dores e dificuldades em tarefas básicas como higienização e uso da cadeira de rodas, a filha desenvolveu novas complicações.
“Agora o pé também entortou, a coluna está comprometida, tudo consequência do quadril deslocado. No começo seria apenas a cirurgia do quadril, agora vai precisar operar também o pé”, relata.
Karoline já teria feito três vezes o procedimento chamado ‘risco cirúrgico’, tipo de avaliação médica pré-operatória, realizada para determinar a condição de saúde do paciente antes de um procedimento, mas não foi chamada para a cirurgia,
“Em um mês falaram que não dava para fazer por conta da síndrome respiratória, e só agrava a situação dela. A coluna dela está com escoliose, por conta do quadril fora do lugar”.
Devido às condições de saúde de nascença, Karoline precisa se alimentar por meio de sonda, que deve ser trocada a cada seis meses. Entretanto, a mãe alega que o material está em falta no CEM (Centro de Especialidades Médicas).
“A gente sente que todas as portas se fecham. Psicologicamente está muito difícil, porque é um sofrimento diário”, desabafa.
Tentativas
A família recorreu à Defensoria Pública para tentar acelerar o processo, mas encontrou novas barreiras. Em maio deste ano, quando a cirurgia seria realizada pelo Hospital Universitário, o procedimento foi cancelado devido à síndrome respiratória da criança, já que seria necessário acompanhamento em CTI (Centro de Tratamento Intensivo).
A Defensoria então solicitou que Luana apresentasse três orçamentos da cirurgia em clínicas particulares, mas o custo se tornou outro obstáculo. “Cada clínica pede pelo menos uma consulta com o ortopedista para fornecer o orçamento. Eu precisaria pagar três consultas diferentes só para conseguir pedir ao juiz. É muito burocrático”, explica.
Além da cirurgia, a família também luta por transporte adaptado para que a criança possa frequentar o Cotolengo, onde realiza tratamento e estuda. Apesar da decisão judicial favorável, a Prefeitura de Campo Grande ainda não disponibilizou o veículo.
“Tudo que a gente tenta é cheio de burocracia. Parece que para famílias como a nossa as portas sempre ficam fechadas. Estamos tentando desde 2022 e nada acontece”, lamenta Luana.
O que dizem as autoridades?
Em nota, a prefeitura declarou que "todos os atendimentos, consultas e exames seguem os protocolos do SUS, com critérios baseados em urgência, gravidade e disponibilidade" e não comentou a falta de insumos, que são dados públicos, alegando respeito à LGDP. Confira:
Em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e à privacidade dos pacientes, a Secretaria Municipal de Saúde não fornece informações individualizadas à imprensa ou terceiros. Dados sobre atendimentos só são repassados ao próprio paciente ou responsável legal.
A Sesau orienta que o paciente acompanhe suas demandas junto à unidade de referência ou pelos canais oficiais:
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Ouvidoria SUS: 0800 314 9955 / (67) 3314-9955
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Portal da Ouvidoria: ouvidor.saude.gov.br
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Central 156
Por sua vez, o Humap-UFMS informou que a paciente Karoline Rebeca Lopes de Arruda encontra-se inserida na fila de espera da Ortopedia Pediátrica. "A unidade hospitalar está em atuação permanente, realizando os procedimentos possíveis dentro de sua capacidade operacional e seguindo os critérios técnicos estabelecidos de andamento da fila. Dessa forma, a convocação da paciente para a realização do procedimento ocorrerá conforme a ordem dos fluxos cirúrgicos institucionais, garantindo a equidade e a segurança assistencial. A unidade reforça que atua dentro da sua capacidade instalada não sendo sua responsabilidade a gestão das filas e o aumento da oferta na região".







