Uma criança autista de 13 anos foi alvo de discriminação em um posto de combustíveis localizado na Rua Bandeirantes, em Campo Grande, no dia 10 de setembro. O caso revoltou os familiares, uma vez que o menino foi alvo de comentários cruéis e preconceituosos por parte de um funcionário do estabelecimento, após pedir ajuda para encher o pneu de sua bicicleta.
Segundo relato da família encaminhado ao TopMídiaNews, o adolescente, que está em processo de alfabetização, saiu da escola e passou pelo posto a caminho da borracharia do pai, no bairro Leblon. Sem saber manusear o equipamento para encher o pneu, ele pediu ajuda educadamente ao funcionário, mas foi recebido com deboche e agressividade.
“Olha o seu tamanho, você não sabe ler?”, teria dito o trabalhador. Ao ouvir a resposta, o menino rebateu dizendo que está em fase de aprendizagem: “Não, tio, eu ainda estou aprendendo”.
Ainda assim, o profissional continuou atacando o menor. “Não sabe ler? Ou vai virar pedreiro ou vai virar bandido”, afirmou o homem.
Diante da situação, o menino chegou em casa em estado de agitação e iniciou uma sequência de crises de ansiedade. Ainda segundo os familiares, ele chorava constantemente, recusava-se a sair de casa, deixou de ir à escola por alguns dias, perdendo o sono e o apetite.
A cunhada do menino, encaminhou uma nota de repúdio à reportagem, onde classificou o episódio como inaceitável e desumano, ressaltando que atitudes capacitistas e discriminatórias como essa não devem ser toleradas:
“Essa atitude não pode e não será tolerada. O capacitismo, o preconceito e o despreparo de funcionários para lidar com o público, especialmente com pessoas com deficiência, são graves e devem ser enfrentados com seriedade. Respeito é o mínimo. E o mínimo já não está sendo feito.”
Reincidência e omissão
A família voltou ao posto para questionar a conduta do funcionário e ouviu do gerente que providências seriam tomadas. No entanto, segundo os relatos, o comportamento inadequado do funcionário já teria ocorrido em outras ocasiões.
“O gerente disse que conhece bem o rapaz e, pelo que entendemos, não foi a primeira vez que isso acontece”, afirmou a cunhada da vítima.
Além da violência verbal contra uma criança autista, a fala do funcionário também foi duramente criticada por menosprezar a profissão de pedreiro e por associar a dificuldade de leitura à criminalidade, o que reforça estereótipos e preconceitos sociais.
Consequências emocionais e apoio psicológico
A criança passou por momentos delicados após o ocorrido. Porém, graças ao apoio psicológico que já vinha recebendo, conseguiu melhorar gradativamente, mas o episódio deixou marcas: “Ele comentou que ficou com muita raiva do rapaz e envergonhado por ter dificuldade na leitura”, relatou a família.
Ainda em conversa com o TopMídiaNews, a família informou que está tomando todas as medidas legais cabíveis e espera que o posto identifique e responsabilize o funcionário, além de adotar ações concretas para garantir a capacitação de seus colaboradores e a criação de um ambiente mais inclusivo e respeitoso.
“Estamos fazendo isso não é apenas por meu filho, mas por todas as crianças e pessoas que são diariamente silenciadas e feridas por palavras e atitudes covardes como essa”, finaliza a mãe em uma nota.
A reportagem tentou ligar para o telefone do posto indicado na internet, mas até a publicação desta matéria não teve resposta. O espaço segue aberto para manifestações futuras.







