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Campo Grande

Justiça fecha lixão de Campo Grande e 700 catadores ficam sem trabalhar

29 fevereiro 2016 - 10h56Por Rodson Willyams e Mariana Anunciação

Cerca de 200 catadores de lixo estão concentrados na entrada da Cidade de Deus em forma de protesto pelo fechamento, por determinação da Justiça, do lixão municipal, que ocorreu às 7 horas desta segunda-feira (29), em Campo Grande. Segundo informação dos manifestantes, o prefeito Alcides Bernal, do PP, teria se comprometido com eles de ir até ao Fórum para tentar reverter o caso e prorrogar o prazo.   

De acordo com o representante dos catadores de lixo, Junior Brayam, de 24 anos, cerca de 700 pessoas que trabalham no local, foram pegas de surpresa quando chegaram para mais um dia de serviço. Com isso, cerca de 200 catadores, com medo, resolveram se concentrar na entrada do bairro Cidade de Deus.

"Nós estamos aguardando uma decisão do juiz, ficamos sabendo que o prefeito Alcides Bernal foi ao local para tentar recorrer da decisão. Nossa intenção não era fazer uma manifestação, mas estamos aqui aguardando uma decisão e queremos garantir o nosso direito de trabalhar e ter uma renda familiar", explicou.

Brayam ainda revelou à reportagem que a UTR (Unidade de Tratamento de Resíduos) - que atende 88 funcionários - não comporta os 700 trabalhadores. "Deste, 429 atualmente trabalham diretamente dentro do lixão e os demais trabalham de forma indireta", contou.

Um dos trabalhadores identificados apenas como João, de 39 anos, disse que trabalha desde 1990, e afirmou que o prefeito Alcides Bernal, já havia constatado que a URT não estava comportando o número de trabalhadores no local. "Esse local não suporta a demanda de catadores e agora aguardamos uma posição".

Outro a comentar, é Paulo Henrique, de 21 anos, que disse que trabalha há quatro anos no Lixão e que sustenta a família com os recursos que tira do serviço de coleta. "Sustento a minha família, dois enteados, minha mulher e filha de oito meses, tudo com a renda que tiro do lixão. Hoje quando cheguei para trabalhar, já estava tudo fechado. Há duas semanas até fomos avisados, estávamos correndo atrás para impedir o fechamento. Agora a nossa expectativa é que ele reabra. Vamos aguardar".

De acordo com o 2º tenente da Polícia Militar, Luis Pedro Delizário, cerca de 25 pessoas entre guarda municipais e a policiais militares estão no local. "Desde às 7 horas da manhã estamos aqui para cumprir o fechamento do local. Ele aconteceu da maneira tranquila. Acredito que não vai haver manifestação, mas a tropa de choque da PM está de sobreaviso, caso seja necessário entrar em ação", finalizou.

O caso

O prazo estabelecido pela Justiça para que a prefeitura retirasse os funcionários do lixão venceu neste domingo (28). E ontem, o prefeito Alcides Bernal comentou sobre o caso com o TopMídiaNews.

"Temos Juízes e Juízas idôneos, em razão disso, vou me reunir na próxima segunda-feira (29) e levar a proposta de prorrogar o prazo. Queremos que as pessoas tenham condições de emprego, ninguém vai sair na base do porrete. Já sabemos onde vão ficar, mas não vou revelar", disse Bernal.

E ainda comentou: "vai existir a retirada, mas não amanhã", ressaltou. O descumprimento da ordem judicial tem uma multa diária de R$ 10 mil ao município. A área do lixão esta ocupada por catadores que não possuem outra fonte de renda para sobreviver.

A equipe entrou em contato com a assessoria de imprensa, mas até o momento não obteve nenhuma resposta se o prefeito Alcides Bernal foi ou não à Justiça. Mas apenas informou que a Prefeitura solicitou prazo de 30 dias para aplicar um plano de ação referente ao fechamento do aterro.