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Campo Grande

há 2 meses

Caso de menino que se afogou em lago em 2017 segue sem perícia, denuncia mãe

Nove anos depois, a defesa da família deseja que as provas testemunhais sejam levadas em consideração para prosseguir com o processo

Ana Paula Cardozo, 42 anos, denuncia que o caso envolvendo o afogamento do seu filho Hiago Ryan Cardoso Aguirre, de 9 anos, ocorrido em 2017, em Campo Grande, segue sem conclusão na Justiça devido à demora na realização de uma perícia técnica no local. 

Segundo ela, o processo enfrenta dificuldades desde outubro do ano passado por conta da sucessiva recusa de peritos nomeados pela Justiça. “Já estamos no quarto perito. Um não aceitou, outro pediu valores altos, de até R$ 35 mil, e agora seguimos aguardando um novo profissional”, explicou.

A família possui o benefício da justiça gratuita, o que significa que não teria condições de arcar com os custos da perícia. A discordância sobre os honorários tem travado o andamento do processo.

Ela também destacou que a demora pode prejudicar a produção de provas. “A dinâmica do acidente já se perdeu com o tempo. As provas periciais praticamente desapareceram, e hoje dependemos de testemunhas e registros da época”, afirmou.

O processo nove anos depois

Nove anos depois, a defesa da família deseja que as provas testemunhais sejam levadas em consideração para prosseguir com o processo. O receio dos familiares é de que a perícia técnica seja inconclusiva por conta da demora e que a falta de continuidade do processo por esse motivo seja sem finalidade.

O processo judicial foi movido pela família porque o menino se afogou em um lago localizado em uma área pública que, segundo a mãe, pertence à prefeitura, mas é arrendada à concessionária Águas Guariroba.

A família sustenta que a empresa é responsável pela manutenção e segurança do local, que seria de risco e não possuía qualquer tipo de isolamento ou vigilância. Ainda conforme o relato, o espaço era de fácil acesso e frequentemente utilizado por crianças da região, o que, para a família, caracteriza negligência e fundamenta o pedido de responsabilização pela morte da criança.

O caso

Hiago Ryan Cardoso Aguirre, de 9 anos, se afogou na tarde do dia 26 de dezembro de 2017, em um lago, ao lado de uma unidade da Águas Guariroba, localizado no Conjunto José Maksoud, na região das Moreninhas. A criança foi reanimada pelo Corpo de Bombeiros e levada para a Santa Casa inconsciente.

De acordo com informações de testemunhas, o menino brincava no reservatório com mais duas crianças quando se afogou. Elas buscaram socorro e José Carlos Maceno, 52 anos, morador da região, resgatou o garoto depois de mergulhar três vezes. "Somente na terceira vez consegui ver o pezinho dele", contou.

José e mais um morador fizeram respiração boca a boca e massagem cardíaca no menino, que estava inconsciente. Ele teria ficado aproximadamente 20 minutos embaixo da água. 

O que diz a concessionária?

"A Águas Guariroba esclarece que, diferente do que foi noticiado, o caso informado pela reportagem não ocorreu em uma unidade da concessionária, mas em uma bacia de contenção de águas pluviais (água da chuva), ou seja, em uma área que não está ou esteve sob responsabilidade da concessionária.

A concessionária lamenta profundamente o ocorrido, porém, ressalta que não possui qualquer responsabilidade, conforme já demostrado em processo na justiça.

Seguimos à disposição para esclarecimentos".

*matéria editada às 11h para adicionar nota da Águas Guariroba

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