Uma moradora de Campo Grande denuncia estar vivendo sob medo constante após descobrir que a medida protetiva solicitada contra o ex-companheiro não teria sido efetivada porque ele ainda não foi intimado pela Justiça. Segundo ela, a situação já dura cerca de dois meses.
A mulher afirma que procurou a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) nesta semana para registrar um boletim de ocorrência por descumprimento da medida protetiva, após perceber que o ex-companheiro estaria circulando frequentemente próximo à sua residência, suspeitando que estava sendo perseguida pelo homem.
No entanto, durante o atendimento, ela recebeu a informação de que o agressor ainda não havia sido intimado e, por isso, a medida não estaria produzindo efeitos legais. O medo só aumenta por conta dos dois filhos pequenos que ela têm e por sua rede de apoio ser a mãe,
Mensagens enviadas pela vítima a contatos ligados à rede de proteção mostram o desespero diante da situação. Em uma delas, ela afirma: "Vou ser a próxima vítima, pelo amor de Deus". Em outra, questiona: "Estão esperando eu morrer?".

Relacionamento marcado por denúncias de violência
A mulher conta que manteve um relacionamento de aproximadamente quatro anos com o homem e que, durante esse período, sofreu episódios recorrentes de violência psicológica, ameaças, humilhações e controle.
Segundo o relato, ela engravidou poucos meses após o início da relação. Com o passar do tempo, afirma que passou a ser submetida a situações de isolamento, agressões verbais e constrangimentos frequentes. "Eu sofria muita violência psicológica. Era humilhada constantemente. Ele me colocava para fora de casa, quebrava minhas coisas e me ameaçava", disse.
A vítima também afirma que chegou a ser mantida em cárcere privado em algumas ocasiões. "Ele me trancava no apartamento e dizia que eu só poderia sair depois de fazer tudo o que ele mandava", relatou.
Medo aumenta após nova aproximação
De acordo com a mulher, o receio aumentou nos últimos dias após ela perceber que o ex-companheiro estaria passando frequentemente pela rua onde mora.
Ela afirma possuir testemunhas e provas das situações vividas ao longo do relacionamento, mas teme que algo mais grave aconteça antes que haja uma resposta efetiva das autoridades. "Eu só queria que a Justiça funcionasse. Eu acreditava que estava protegida, mas descobri que a medida nem estava valendo porque ele não foi intimado. Isso me deixou desesperada", afirmou.
A reportagem procurou a Deam para esclarecimentos sobre o andamento do caso e os procedimentos adotados para o cumprimento de medidas protetivas.








