Uma trabalhadora de um restaurante localizado na Avenida Afonso Pena denunciou a insegurança constante enfrentada por comerciantes e clientes na região central de Campo Grande, especialmente com o aumento visível da população de rua.
Segundo ela, diversas tentativas de contato com a Assistência Social e com a Polícia Militar foram feitas, mas a resposta têm sido limitada. “Eles dizem que não podem forçar ninguém a sair da rua, que a pessoa tem que querer ir. A polícia pede para circularem, mas depois que a viatura sai, eles voltam para o mesmo lugar”, relatou.
A funcionária afirma que grupos que vivem na região costumam pedir marmitas em frente ao restaurante. Conforme ela, por orientação da própria assistência social, o estabelecimento não fornece alimentos diretamente, pois a recomendação é que essas pessoas sejam encaminhadas a centros de acolhimento.

Funcionária buscou ajuda de órgãos públicos para auxiliar as pessoas (Print: RepórterTop)
“Quando a gente diz que não pode dar, eles ficam bravos, começam a xingar, chutam as coisas. Já arrancaram grades do canteiro aqui da frente e jogaram no chão”, contou.
Em um dos episódios, ao sair do trabalho depois de uma negativa de dar comida, ela encontrou o carro amassado. Em outra, conta até que já foi abordada.
De acordo com a trabalhadora, a situação é comentada entre comerciantes da região. Um proprietário de estacionamento nas proximidades também teria relatado que clientes estão receosos em ir até os comércios da rua por abordagens constantes. “Tem cliente que não quer nem ficar na calçada esperando corrida de aplicativo por medo”, disse.
Somente na manhã do último sábado (21), até o meio-dia, ela afirma que dois clientes já haviam relatado abordagens, o que gerou insatisfação.
“É uma sensação de incapacidade. Se o poder público não preza pela segurança da cidade, como nós, cidadãos, vamos fazer isso sozinhos?”, questionou.
Guarda Civil Metropolitana
A Guarda Civil Metropolitana (CGM) intensificará as rondas da Guarda Civil Metropolitana (GCM) na região central nos próximos dias. A segurança pública no município é realizada de forma integrada com as forças do Governo do Estado e do Governo Federal, conforme prevê a Constituição Federal. À GCM cabe, prioritariamente, a realização de rondas em prédios públicos e o apoio às forças ostensivas, como a Polícia Militar.
Paralelamente, a Secretaria de Assistência Social (SAS) mantém de forma contínua o trabalho do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), com oferta de acolhimento e demais serviços da Rede de Assistência Social às pessoas em situação de rua. As equipes atuam diariamente nas sete regiões da Capital, 24 horas por dia, realizando buscas ativas e atendendo denúncias, sempre respeitando o direito de recusa ao atendimento. O serviço pode ser acionado pelos telefones (67) 99660-6539, 99660-1469 e 156.
Patrulhamento da PMMS
Em nota, a Polícia Militar expressou que faz patrulhamento preventivo na região:
Em atenção à solicitação, a PMMS informa que o patrulhamento preventivo é realizado diuturnamente na região informada, por meio das equipes de radiopatrulha da Polícia Militar, do 1º Batalhão de Polícia Militar, bem como por nossas Unidades de atuação especializada, como o Batalhão de Choque e Batalhão de Trânsito.
Rondas preventivas e abordagens policiais ocorrem diariamente, em todos os turnos, e em todos os bairros da Capital, inclusive nos arredores da praça e ruas principais do centro da capital.
Todo policiamento é realizado com base na análise de dados estatísticos, extraídos dos Boletins de Ocorrências e também dos atendimentos à comunidade local.
A área tem sido patrulhada e as viaturas monitoradas em tempo real, com rondas programadas conforme a mancha criminal e ainda com incremento conforme solicitações que chegam ao quartel que cuida da região. Além das ações rotineiras, extraordinárias poderão ser realizadas para saturar a área ou atender a uma situação crítica da área da unidade, como essa informada. A PMMS segue trabalhando constantemente no aprimoramento e na atualização dos protocolos institucionais,
Em relação às pessoas em situação de rua, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul destaca o cumprimento de seu papel institucional enquanto órgão de segurança pública. Contudo, ressalta-se que a redução dessas situações depende, de forma significativa, da implementação e do fortalecimento de políticas públicas integradas, envolvendo áreas como saúde pública, assistência social, ordenamento urbano e revitalização de espaços, além de ações voltadas à prevenção, acolhimento e reinserção social. Trata-se de uma questão complexa, que exige atuação coordenada entre diferentes órgãos e esferas do poder público, com foco em soluções estruturais e duradouras.
Estaremos informando a unidade da PMMS responsável pela região, transmitindo que houve esta demanda, a fim de ser feito uma análise da referida situação.








