A lei que atualiza a tabela de vencimentos dos profissionais do magistério municipal em 5,4% foi sancionada nesta sexta-feira (25), em Campo Grande, sob um tom de comemoração por parte do Executivo. O desfecho, no entanto, evidencia um recuo da categoria: o reajuste será pago no mesmo formato parcelado até 2027 que havia sido duramente rejeitado pelos professores meses atrás.
O texto sancionado pela Prefeitura acompanha o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério de 2026 e será depositado em três etapas. A primeira parcela, de 2%, tem efeito retroativo a 1º de setembro. A segunda, de 1,4%, será paga em dezembro. A fatia final, de 2%, entrará em vigor apenas no primeiro dia de janeiro de 2027.
O calendário definitivo vai na contramão do documento protocolado pela ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública) no dia 8 de julho. Na ocasião, a base rejeitou o estiramento do prazo para 2027 e definiu como condição que, caso houvesse parcelamento, o percentual deveria ser obrigatoriamente quitado até o final de 2026. Na época, o sindicato chegou a afirmar que a decisão visava à valorização da classe e ao fortalecimento da luta coletiva.
Apesar da resistência inicial, os docentes acabaram validando a proposta da Prefeitura em uma nova Assembleia Geral Extraordinária. O presidente da ACP, Giovano Bronzoni, justificou a mudança de postura afirmando que o formato desenhado atendeu às necessidades atuais. "Mas da forma que foi feito eu tenho certeza, e foi aprovada por quase unanimidade na Assembleia da ACP, que nós tomamos a melhor decisão para o momento", pontuou.
Enquanto a categoria precisou ceder no prazo que antes tratava como inegociável, os gestores do município adotaram um discurso uníssono de vitória e articulação. A prefeita Adriane Lopes (PP) apontou a medida como uma etapa importante de avanços, garantindo que a educação "continua sendo prioridade".
A narrativa de sucesso também pautou as falas das equipes técnicas que conduziram o acordo. Para a secretária da Semadi (Secretaria Municipal de Administração e Inovação), Andrea Alves Ferreira, a articulação garantiu a viabilidade do texto, sendo um "momento de comemorar, uma conquista com o trabalho executado em conjunto". O titular da Semed (Secretaria Municipal de Educação), Lucas Henrique Bittencourt, seguiu a mesma linha: "É um momento memorável, foi construído em várias mãos".








