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Campo Grande

R$ 1 milhão jogado no lixo: posto de saúde vira 'casa' de usuários de droga

24 março 2016 - 07h00Por Anna Gomes

O que era para ser uma unidade de saúde e ajudar a população acabou se transformando em um pesadelo de um bairro inteiro. Orçada em pouco mais de R$ 1 milhão, a obra da Unidade Básica de Saúde da Família, no bairro Zé Pereira, nunca ficou pronta e hoje é 'casa' de usuários de drogas e maior preocupação da região.

A UBSF, localizada na Avenida Engenheiro Amélio Carvalho Baís, mesmo quase pronta, está com as obras paralisadas há anos e a população reclama que a saúde é precária na região. Sem segurança, o local acabou virando um refúgio para os usuários de drogas.

(Antônio diz que população vai buscar atendimento na UPA da Vila Almeida. Foto: Anna Gomes)

Antônio Renê, 53 anos, é morador do Zé Pereira há mais de dez anos e reclama da obra que já está toda pichada. "O posto de saúde que tem no bairro não suporta tanta gente e a população acaba precisando ir até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida. Acredito que se tudo fosse feito como deveria ser, de forma correta, não precisaríamos buscar atendimento em outras localidades da cidade", lamenta.

Com medo dos usuários de droga, o morador que preferiu se identificar apenas como José, relatou que mora na região há aproximadamente 23 anos, e que os usuários entram normalmente na obra, como se fossem donos do espaço que deveria funcionar uma unidade de saúde.

 (Obra parada faz falta para a população. Foto: Anna Gomes)

"Eles entram, se acomodam e ninguém faz nada, a prefeitura tem tanto guarda municipal, porque não colocam um na construção para fazer a segurança do espaço? Mas não fazem nada disso e tudo fica abandonado e perigoso para quem passa por aqui, principalmente à noite. Afinal, usuário quando sente falta da droga, assalta mesmo, sem dó de ninguém", alerta.

                                                       (Foto: Anna Gomes)

Para a moradora Viviane Nogueira, de 32 anos, ela possui criança pequena e sempre precisa consultar o bebê, mas sem atendimento perto de sua residência, a mulher não tem outra opção e busca ajuda em outros locais da cidade.

"Vivemos sem médicos, sem medicamentos com uma construção dessas quase pronta? Acho um descaso, pois quando as obras voltarem, vão gastar novamente dinheiro para arrumar o que o tempo e os vândalos estragaram", lamenta a moradora.

(Com criança, a necessidade de médicos aumenta e moradora lamenta construção paralisada. Foto: Anna Gomes)

A equipe de reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Campo Grande e teve como resposta que o município não tem previsão de retomar as obras da UBSF do bairro.