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Campo Grande

há 1 hora

Sem ajuda da prefeitura, projeto tenta dar conta de mais de 500 animais em Campo Grande

Resgates são feitos de forma voluntária, mas responsável por acumular dívidas para conseguir realizar resgates

Por amor aos animais, a autônoma Michelle Vaz, de 31 anos, dedica sua renda, cuidados e tempo ao projeto Mi Pets, em Campo Grande. Entretanto, sem auxílio dos órgãos que deveriam cuidar da causa animal na Capital, Michelle, assim como muitas outras protetoras independentes e ONGs, precisa se desdobrar para dar conta da alta demanda de resgates, abandonos e cuidados tanto de gatos quanto de cachorros. 

O projeto atualmente atende mais de 500 animais fixos e abrigados em Campo Grande, dos quais foram, em sua maioria esmagadora, abandonados, resgatados de maus-tratos e jogados na porta dos abrigos que Michelle mantém. Manter esse tipo de trabalho é um desafio, e ela relata para a reportagem do TopMídiaNews que está passando por dificuldades financeiras, sem dinheiro para manter a ração para todos, além de medicamentos, contas de água e luz dos abrigos e dívidas altíssimas em clínicas veterinárias que atendem os animais. 

“Clamamos por socorro para conseguirmos manter o projeto em ação. Pedimos ajuda a todos para conseguirmos manter os animais e os abrigos com as contas em dia”.

Trabalho de família

Para a reportagem, Michelle relatou que, desde a infância,, realiza trabalhos em prol da causa animal. “Quando criança, já fazia isso, de cuidar de animais de rua. Isso começou pelos meus pais, mas ficou mais sério quando tinha por volta dos 16 anos, quando já estava trabalhando e poderia fazer as coisas com meu próprio dinheiro”, relembra. 

No início, a ajuda se limitava a apenas um, dois e até três animais. Porém, conforme a protetora, todas as horas há animais precisando de ajuda e resgates de situações de maus-tratos ou abandonos. Há seis anos atrás, quando o projeto dava seus primeiros passos, ela relembra que ela e outras quatro amigas que atuam como voluntárias recorreram às redes para buscar auxílio, mas cometeram alguns erros, o que prejudicou o andamento do projeto. 

“Começamos a divulgar o projeto para conseguir ajuda, para manter os animais que tínhamos, que já estavam em número grande. Só que, no começo, como não tínhamos muito conhecimento, divulgávamos o endereço do nosso abrigo. Com isso, pessoas começaram a ‘desovar’ animais nas nossas portas; eram muitos animais doentes, atropelados e até mortos. Jogavam no nosso portão”, relata.

Todos eram recolhidos, levados para tratamentos médicos e salvos pelas protetoras. Alguns foram adotados, mas os abandonos eram contínuos, fazendo com que o abrigo precisasse mudar de endereço. Michelle recebe pedidos de ajuda até mesmo pelas redes sociais. 

“O problema é que a gente sempre tem muita dó. E eu recebia muito pedido de ajuda pelo Facebook também. O animalzinho estava atropelado, ou foi abandonado, ou estava sofrendo maus-tratos. Eu ia lá, resgatava, levava para a clínica, dava atendimento que fosse necessário. Quando o animalzinho recebia alta, as pessoas sempre falavam: ‘Vai lá, resgata, que a gente faz uma vaquinha, que a gente ajuda depois’. Isso é um papo balela, porque eu acumulei uma dívida de mais de R$ 100 mil na clínica veterinária”, desabafa. 

Acúmulo

Com tantos resgates, o projeto agora passa por uma situação de superlotação. “Estamos trabalhando com muitas dificuldades. A gente faz rifas, pedimos doações nas redes sociais para gente conseguir ajuda”. 

Um dos abrigos mantém 256 gatos, que consomem 20 quilos de ração a cada dois dias, isso com alimentação uma vez ao dia. No frio, a situação fica ainda mais grave, com casos de rinotraqueíte (gripe felina) se propagando. “Todos os dias um gasto muito alto”.

Michelle também relata que já tentou contato com a prefeitura, por meio de uma contadora, mas foi desacreditada. “Me disseram que ficaria muito caro para conseguirmos regulamentar tudo como ONG. Eu não tenho muito conhecimento e não sei como se faz isso também”, lamenta. 

Sobrevivendo como autônoma, Michelle tenta ao máximo diversos trabalhos para conseguir dar conta das despesas. “Faço freelance como caixa, portaria e revendo coisas como maquiagens e perfumes”. 

O projeto aceita doações de ração sem corantes, medicamentos, casinhas, cobertores, roupas de cama usadas e outros utensílios destinados aos cuidados dos animais. Também é possível contribuir em dinheiro por meio da chave Pix (celular) (67) 99220-1589, em nome de Michelle Vaz. O mesmo número também atende pelo WhatsApp. Mais informações podem ser obtidas pelo Instagram @mipetse.
 

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