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Campo Grande

Últimos moradores são removidos e Cidade de Deus chega ao fim

15 abril 2016 - 12h03Por Izabela Sanchez

Em meio a chuva, matagal e plantas que tomam conta dos barracos,- muitos já desfeitos- a favela Cidade de Deus, que resistiu por cerca de 8 anos, chega ao fim. O clima na manhã desta sexta-feira (15) beirava a melancolia, com chão de lama e céu cinzento. A prefeitura, que operou a reintegração junto ao governo do estado, montou uma estrutura com assistentes sociais, diversos guardas municipais e soldados da Tropa de Choque da Polícia Militar.

Ao lado da favela, casas são construídas no residencial Teruel, que é próximo à UTR (Usina de Triagem de Resíduos). A assessoria da prefeitura explicou que o critério para as famílias que devem ocupar as casas do Teruel levará em conta moradores que trabalham na Usina. A última reintegração, que começou na quinta-feira (14), incidiu sobre 36 famílias que não se encaixam nas exigências da Emha (Agência Municipal de Habitação), de acordo com a prefeitura.

Construção das casas no Teruel. Foto: Geovanni Gomes

“São 10 barracos ausentes, 20 famílias que não se encaixam nos critérios e 6 pessoas solteiras”, explicou a assessoria. A administração municipal informou que o processo de “triagem” na Cidade de Deus foi parecido com o Censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Marcia Aureliano trabalha no Proinc (Programa de inclusão profissional) da prefeitura e era uma das 27 pessoas que auxiliam na transição dos moradores e explicou que o trabalho, de modo geral, não encontra resistência, com exceção de poucos casos que são auxiliados pela Guarda Municipal.

Lorejane Santos, 28 e Aristeu Silveira da Silva são um dos últimos moradores da ocupação. “Nós vamos pra lá, essas madeiras são dos nossos barracos, lá que vai ser construído”, explicou Lorejane. Aristeu contou que irá participar do processo de construção da própria casa, como os outros moradores. Ele já foi taxista e soldador e está desempregado.

Sorridente, Jocelino Martins, 50 anos, é voluntário no processo. Ele já mora no Teruel há um tempo e acompanha a Cidade de Deus em seus diversos processo de ocupação. “Pra mim representa progresso, mas tem muita coisa a ser resolvida, é ano de eleição, deram esses materiais, mas temos que ver. É uma quantia boa de famílias pra resolver”, contou, enquanto carregava materiais.

“O nosso trabalho é fornecer segurança para o oficial de justiça, que irá realizar a reintegração de posse junto aos resistentes. A guarda está aqui há 40 dias, temos vindo nos últimos dias e o diálogo foi pacífico, só observamos um ou dois focos de resistência”, declarou o comandante da Tropa de Choque, coronel Marcos Paulo.

Foto: Geovanni Gomes

O comandante afirmou que 12 soldados fariam a reintegração junto aos moradores que resistiram ao processo, mas disse que um batalhão estava de prontidão da sede, para ser chamado. O processo inicial foi tranquilo, e alguns dos moradores não estavam no local.