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Campo Grande

Venda de casas populares é tão descarada que surge até 'corretora de imóveis' do mercado negro

Comércio é ilegal e muturário perde direitos a novos programas habitacionais

26 novembro 2018 - 07h00Por Thiago de Souza

A venda de casas destinadas à população pobre em Campo Grande continua e - de maneira nada discreta. Com tantos casos, surgiu até a figura do ''corretor de imóveis'' desse mercado ilegal. No Residencial Celina Jallad, no Portal Caiobá, tem imóvel a R$ 20 mil, mas o vendedor aceita moto ou carro como parte do pagamento.

Uma mulher, que se não quis se identificar, mas na rede social se intitula como Nayara, oferece vários imóveis. Dois deles estão no residencial Celina Jallad - Portal Caiobá e outro no Residencial Reinaldo Busanelli, próximo ao Jardim Radialista.

Na postagem do Celina Jallad, ela coloca a foto de algumas casas, no entanto as imagens são da época em que as moradias foram entregues, em 2014. A vendedora disse que o imóvel custa R$ 20 mil. A anunciante destaca que faltam parcelas para pagar, pois o contemplado ainda não quitou o imóvel.

Questionada via telefone sobre o número do imóvel a ser comprado, ela disfarçou e disse que passaria somente no local.

''Tem que ir no local, a gente tá combinando um horário porque tem muita gente querendo ir, mas não deu por conta da chuva'', informou a ''corretora''. A modalidade de venda, segundo a anunciante, é o famoso ''contrato de gaveta''.

Mulher vende casa no Reinaldo Busanelli. (Foto: Reprodução Facebook)

A suspeita se mostra articulada e segura na conversa. Embora atue como uma ''corretora de imóveis'', ela nega que a venda das casas ocorra dentro de algum escritório que faça venda de imóveis que não pertencem a programas habitacionais populares. ''Não moço, é particular''.

A mesma mulher põe anúncios de imóveis que aparecem como ''transferência'' e mais cerca de 30 casas em diversos bairros da Capital.

Ao ser informada que estava falando com um site de notícias, a mulher resmungou e desligou o telefone. Tentamos novos contatos e deixamos recado no aplicativo WhatsApp, mas não fomos respondidos.

Fiscalização

Em contato com a reportagem, a Emha destaca que as casas são do programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. A instituição municipal até ajuda na fiscalização, mas a responsabilidade de verificar os casos é da Caixa Econômica Federal. 

* Matéria editada às 9h35 para correção de informações