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Favelas se multiplicam e sonho da casa própria fica cada vez mais distante na Capital

Com fim da campanha, moradores da antiga favela Cidade de Deus reclamam da falta de salários e materiais de construção

29 OUT 2016
Dany Nascimento
18h02min
Foto: Geovanni Gomes

Revoltados por ver a tão sonhada construção da casa própria parada, os moradores da favela Cidade de Deus que foram transferidos para o Jardim Canguru dizem que, após ser derrotado nas eleições de 2016, o prefeito Alcides Bernal (PP) abandonou os moradores e deixou de fornecer material para o término da construção das casas.

Segundo o morador Marcos Roberto Pereira, 40 anos, há mais de 30 dias, o material para a construção deixou de ser entregue e os trabalhadores contratados pela Morhar Organização Social estão sem receber pagamento há dois meses. "Primeiro que o prefeito tirou a gente de uma favela pra construir outras quatro favelas na cidade. Tem quatro anos que vivemos isso, vivemos acreditando que o prefeito vai fazer diferente, quando na verdade não vai".

Marcos destaca que, ao tomar conhecimento que o prefeito Alcides Bernal (PP) fracassou nas eleições, começou a se preparar para os novos problemas que surgiriam. "Quando ele perdeu a gente já sabia que ia acontecer isso, o Bernal não está nem aí para a gente. A obra de construção das nossas casas está assim, parada. As vigas estão tortas, só estragando o que foi feito quando chove e depois, construímos casas que colocam em risco da vida das famílias".

Alguns funcionários da Morhar Organização Social, que preferiram não se identificar por medo de represálias, afirmaram que estão passando necessidade, já que o salário deixou de ser depositado há dois meses.

"Eu estou com minha filha pequena sem ter o que comer e minha esposa também. Comemos omelete no café da manhã e ovo cozido na janta. Não temos o que comer, minha esposa está grávida e se alimenta dessa forma, porque eu trabalhei e meu salário não chegou na minha casa", conta o trabalhador.

Um outro funcionários diz que tem dez filhos, que dependem de seu esforço, mas até agora, enfrentam uma turbulenta crise dentro de cassa. "Minha família não tem o que comer, eu trabalhei e eles não pagaram. Eu quero receber pelo meu trabalho, não estou pedindo dinheiro para ninguém, quero o que é de direito meu".

Diante do ocorrido, os trabalhadores relatam que foram até a casa do contratante, que acabou ameaçando o grupo. "Nós fomos até lá conversar com ele, mas ele disse primeiro, por telefone, que ia 'meter bala', depois no local, ele mandou a gente ir embora porque ia chamar a polícia e não fala nada sobre nosso salário. Nós queremos apenas o que é nosso".

Sisto da Silva, 65 anos, destaca que perdeu a esperança de ter a casa pronta. "Nós já perdemos a esperança, esse prefeito que aí está não fez nada e não vai fazer. Vamos torcer para isso mudar, mas acho pouco provável que isso aconteça, só Deus sabe quando teremos isso pronto".

Cleuza de Souza, 55 anos, destaca ainda que 12 casas ainda não foram construídas, entre elas, a de sua família. "Tem 12 casas que nem foram construídas, a minha é uma dessas. Algumas já foram levantadas, mas a minha fico só olhando o terreno, porque nada foi feito e nem sei quando terei e se terei o prazer de ainda ter a minha casa própria".

Os moradores destacam que pretendem continuar interditando rodovias, com objetivo de fazer com que o prefeito Alcides Bernal volte a entregar os materiais de construção e exija que a  Morhar Organização Social pague os funcionários.

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