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quinta, 01 de outubro de 2020
Cidades

Seis meses depois, saudade de Gabrielly é ainda maior: "perguntava como tinha sido o nosso dia"

Mãe revela que quando marido viajava, Gabi mandava mensagem preocupada; após morte da menina, pai deixou de viajar

05 junho 2019 - 12h55Por Nathalia Pelzl

Para os pais, cada dia está mais difícil conviver e lidar com a dor da perda da pequena Gabrielly Ximenes, morta em dezembro do ano passado após apanhar na saída da Escola Lino Villachá, no bairro Nova Lima, em Campo Grande.

A mãe da menina, Beatriz Ximenes, de 39 anos, comenta que chora todo dia, sendo que no serviço as crises fazem parte da rotina. O pai, Carlos Roberto Costa de Souza, de 40 anos,  relata que o mais gostava de fazer, hoje já não faz mais.

“O que eu mais gostava de fazer, já não faço mais que é viajar. Acabou aquela alegria que tinha, saía para viajar e deixava todo mundo, aí ligava e todo mundo estava me esperando”, contou ao TopMídiaNews.  

A mãe comenta sobre o jeito meigo e docilidade de Gabrielly. “Quando o pai chegava, ela corria no portão pra pegar a mala dele, toda alegre, toda feliz para recepcionar. Papai chegou! Hoje em dia não tem mais isso. O pai dela viajava, ela mandava mensagem pra ver se ele já tinha almoçado, como tinha sido o trabalho...”.

Abalada, Beatriz reforça que a dor aumenta depois de um longo dia de serviço e a chegada em casa. “Eu chego e não tem mais as três. Ela abria o portão toda feliz, parecia até porteira, pegava a bolsa da gente, perguntava como tinha sido o dia. Ela era alegre, esforçada e dá uma revolta grande não ter mais ela”, finaliza.

O caso

Gabrielly Xinemes  foi espancada  na escola por uma criança de 10 anos e outras duas meninas de 13 anos. O caso ocorreu no dia 29 de novembro na saída da escola Lino Vilachá, no bairro Nova Lima em Campo Grande.

A família teria acionado o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a criança foi atendida na Santa Casa. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, Gabrielly passou por exames e nenhuma lesão foi constatada.

Em casa, a menina começou a reclamar de dores na virilha. Ela foi levada para uma Unidade de Saúde, em seguida par ao CEM e depois para Santa Casa, onde passou por exames, que constataram a artrite séptica (infecção no líquido e tecidos de uma articulação, geralmente causada por bactérias, mas ocasionalmente por vírus ou fungos). Ela passou por cirurgia, teve quatro paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.

Laudo

Em fevereiro deste ano, a  delegada da DEAIJ (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), Ariene Murad, confirmou que a menina Gabrielly Ximenes de Souza, 10 anos, morreu em decorrência das agressões.

“O laudo conclui que a causa da morte foi tromboembolismo pulmonar provocado por artrite séptica. Temos um laudo do Instituto de Medicina e Odontologia Legal, um laudo de necropsia que o perito fez exame anátomo patológico, onde cinco órgãos foram analisados. Ficou pronto após dois meses e meio da morte da criança porque requer muitos detalhes. A criança só morreu porque houve trauma”, diz a delegada.

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