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sábado, 19 de setembro de 2020
Cidades

Além do luto, família de Gabrielly precisa lidar com deboche das agressoras

“O que dói mais na gente é que elas passam aqui na frente, e ficam rindo da nossa cara, da nossa dor, debochando", comenta pai de Gabi

29 maio 2019 - 15h15Por Nathalia Pelzl

A rotina da família de Gabrielly Ximenes,  morta em dezembro do ano passado após apanhar na saída da Escola Lino Villachá, no bairro Nova Lima, além do luto, segundo eles, precisam lidar com o deboche das agressoras.

“O que dói mais na gente é que elas passam aqui na frente, e ficam rindo da nossa cara, da nossa dor, debochando. É ninguém faz nada, a Justiça não faz nada”, comenta  Carlos Roberto Costa, de 40 anos, pai da vítima.

Revoltados e assustados a crueldade das adolescentes, a  mãe relata que as envolvidas até compras fizeram na loja da sua irmã.

“Até na loja da minha irmã foram comprar, minha irmã não conhece elas, minha cunhada que viu e ficou em estado de choque, começou a chorar e elas com o se nada tivesse acontecido. Comunicamos diretor, professores e não chamaram os pais das meninas, conversei com elas na terça e perguntei por que tinha feito isso, bateram palma e tiraram sarro na minha cara. Tem fé que o juiz vai se comover com a história dê uma punição justa.

Laudo

Em fevereiro deste ano, a  delegada da DEAIJ (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), Ariene Murad, confirmou que a menina Gabrielly Ximenes de Souza, 10 anos, morreu no dia 6 de dezembro de 2018, em decorrência das agressões que sofreu no dia 29 de novembro de 2018, na escola Lino Vilachá, localizada no bairro Nova Lima, em Campo Grande.

“O laudo conclui que a causa da morte foi tromboembolismo pulmonar provocado por artrite séptica. Temos um laudo do Instituto de Medicina e Odontologia Legal, um laudo de necropsia que o perito fez exame anátomo patológico, onde cinco órgãos foram analisados. Ficou pronto após dois meses e meio da morte da criança porque requer muitos detalhes. A criança só morreu porque houve trauma”, diz a delegada.

O caso

Gabrielly Xinemes  foi espancada  na escola por uma criança de 10 anos e outras duas meninas de 13 anos. O caso ocorreu no dia 29 de novembro na saída da escola Lino Vilachá, no bairro Nova Lima em Campo Grande. A família teria acionado o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a criança foi atendida na Santa Casa. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, Gabrielly passou por exames e nenhuma lesão foi constatada.

Em casa, a menina começou a reclamar de dores na virilha. Ela foi levada para uma Unidade de Saúde, em seguida par ao CEM e depois para Santa Casa, onde passou por exames, que constataram a artrite séptica (infecção no líquido e tecidos de uma articulação, geralmente causada por bactérias, mas ocasionalmente por vírus ou fungos). Ela passou por cirurgia, teve quatro paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.

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