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Cidades

Em depoimento de seis horas à PF, Polaco isenta Reinaldo Azambuja e o filho de acusações

José Ricardo está preso em Brasília e aguarda fim da prisão temporária

20 setembro 2018 - 18h01Por Thiago de Souza

José Ricardo Guitti Guimaro, conhecido como ''Polaco'', isentou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) de envolvimento em recebimento de propinas vindos de frigoríficos, apontados pela Operação Vostok, da Polícia Federal. No depoimento de seis horas, em Brasília, nessa quarta-feira (19), ele alegou desconhecer plano para assassiná-lo e descarta essa possibilidade.

Conforme o advogado de Polaco, José Rosa, o cliente disse que apenas conhecia o governador da campanha eleitoral de 2014 e nunca conversou com ele. Ele reconheceu que manteve contato com o advogado Rodrigo Souza e Silva, filho de Reinaldo, na intenção de conseguir votos para Reinaldo, depois disso não manteve mais contato.

Sobre o plano para matá-lo, que segundo a PF teria participação de Rodrigo, Polaco não acredita que isso seria possível, até porque o policial que seria o executor é seu amigo.  Essa pessoa também não teria qualquer ligação com Rodrigo Souza e Silva.

Sobre o fato de ser operador de propinas entre fazendeiros, empresários e supostamente agentes do governo Azambuja, Polaco disse que conhecia alguns deles, mas só atuava como corretor na venda de gado e não promovia nenhum tipo de ilegalidade.

Em um suposto flagrante de entrega de dinheiro fruto de propina, gravado por ele e divulgado no Fantástico, da TV Globo, José Ricardo diz que fez aquilo por conta própria, porque na época era amigo de Zelito Ribeiro. Em razão disso e por ter muitas dívidas, inclusive com agiotas, acabou usando o nome do amigo para tentar obter vantagem em relação ao dono de um curtume, José Alberto Miri Berger.

Ainda segundo Polaco, Zelito não sabia desse caso de extorsão, assim como outras autoridades. Ele acrescenta que em nenhum momento tratou artimanhas envolvendo nota de compra e venda de gado, nem no governo Reinaldo, nem na gestão Puccinelli.

Polaco nega ter fugido para o Pará em razão de ameaças por parte dos demais investigados e sim porque no norte do país encontrou ''terreno fértil'' para seus negócios. Questionado sobre a delação premiada, ele assume ter procurado as autoridades para as tratativas, mas deve falar sobre o assunto ''no momento certo''.

Rosa disse que aguarda o fim da prisão temporária, que é de cinco dias, e espera que seu cliente tenha o mesmo tratamento dado aos demais investigados da Vostok.