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há 2 dias

Família se desespera com desaparecimento de campo-grandense há 20 dias no Japão

Residente no País há 23 anos, família acredita que autoridades não procuram estrangeiros da mesma forma

A família de Kennedy Kashiwabara, brasileiro natural de Campo Grande, denuncia contradições nos relatos apresentados por colegas de trabalho e cobra mais empenho das autoridades japonesas na investigação do desaparecimento do trabalhador, ocorrido no fim de dezembro, no Japão.

Kennedy mora há cerca de 23 anos no país e mantinha contato diário com familiares no Brasil, principalmente com o irmão, por meio de mensagens e chamadas. Segundo a família, a interrupção repentina desse contato foi o primeiro sinal de que algo estava errado.

“Todos os dias, depois do trabalho, ele entrava no computador para jogar e conversar. Falávamos sobre pescaria, jogos, coisas do dia a dia. De repente, isso parou, e isso nunca aconteceu antes”, relatou o irmão.

O último contato considerado normal ocorreu no dia 23 de dezembro. Após essa data, Kennedy deixou de acessar o computador e de enviar mensagens, o que causou estranhamento. No dia 25 de dezembro, já após a meia-noite no Japão, o irmão enviou uma mensagem de Feliz Natal e recebeu uma resposta curta e sem detalhes. “Percebi que aquela mensagem não tinha sido escrita por ele. O jeito de escrever não era o dele”, afirmou.

Além disso, a justificativa apresentada, de que Kennedy estaria saindo do trabalho às 22h, contradizia informações repassadas anteriormente pelo próprio trabalhador, que havia dito estar saindo mais cedo por falta de serviço.

Família denuncia contradições e cobra investigação sobre desaparecimento de brasileiro no Japão

Homem gostava de pescar (Foto: Arquivo Familiar)

Relatos contraditórios sobre o dia do desaparecimento

No dia 28 de dezembro, a família foi informada por um ex-cunhado de Kennedy de que o chefe da empresa teria comunicado que ele estava desaparecido desde o dia 27. Segundo essa versão, Kennedy teria sido levado pelo chefe a um restaurante e depois ambos teriam ido jogar bilhar.

Ainda conforme o relato, Kennedy teria pedido para ser levado a uma delegacia para registrar uma ocorrência. O chefe afirmou não poder acompanhá-lo e disse que ele teria ido com um colega peruano.

“Isso não condiz com o comportamento dele. Meu irmão não costumava nem ir a pé ao konbini perto de casa. É improvável que fizesse um trajeto longo desses andando”, destacou o irmão.

Após o pai de Kennedy registrar oficialmente o desaparecimento na delegacia, a família solicitou que fosse verificado se realmente houve tentativa de registro de ocorrência. A resposta da polícia local foi de que nenhuma pessoa com o nome Kennedy Kashiwabara tentou registrar ocorrência naquela unidade.

Diante disso, a família afirma que as versões apresentadas por pessoas envolvidas no último contato com Kennedy apresentam inconsistências.

Outro ponto que aumenta o mistério é a situação encontrada na residência de Kennedy. Segundo os familiares, a casa estava aberta, com sinais de reviramento, o carro aberto e a carteira sem documentos.

Família denuncia falta de resposta das autoridades

A família afirma que, apesar do boletim de ocorrência ter sido registrado no Japão no dia 27 de dezembro, até o momento não recebeu respostas concretas das autoridades japonesas.

“Eles não dão retorno, não investigam como deveriam. A sensação que temos é que não procuram imigrantes com o mesmo empenho que procuram japoneses”, desabafou a mãe.

Diante da falta de respostas, a família busca apoio da imprensa brasileira e estuda acionar a Embaixada do Japão no Brasil, na tentativa de pressionar por uma investigação mais ampla.

Polícia japonesa: 110

Consulado do Brasil em Tóquio: +81 3 5488-5451 (geral)

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