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quinta, 22 de abril de 2021
Cidades

Marcha das Mulheres condena abusos de professor contra afilhada em Aquidauana

Grupo destaca que, em geral, abusadores têm a confiança da vítima

14 janeiro 2021 - 19h50Por Thiago de Souza

Grupo de combate à violência contra as mulheres, a Marcha Mundial das Mulheres, emitiu nota de lamento e revolta contra abusos cometidos por um professor, contra a afilhada dele, quando esta ainda era criança, em Aquidauana. 

No texto, que começa com os dizeres ‘’seguiremos em marcha até que todas sejamos livres...da opressão, das violências...de abusadores...estupradores, a Marcha destaca para o fato de muitos criminosos sexuais serem de confiança ou exercerem funções de superioridade em relação às vítimas. 

‘’Não existe palavra, verbo, apelido para nos referir a essa pessoa...A função, o dever de um professor é ensinar, só isso, apenas isso. No entanto, as denúncias apresentam um sujeito abusador de meninas, de adolescentes indefesas, suas alunas. Sempre se utilizam do mesmo modus operandi: ganham a confiança da vítima, se próxima das famílias, se tornam amigos e, aparentemente estão acima de qualquer suspeita’’, diz trecho da nota do Grupo.

Ainda segundo o desabafo, o objetivo do grupo é mostrar à sociedade que as mulheres não vão se calar diante dos abusos e violência. 

O suspeito em questão tem 50 anos, é professor de geografia e dirigente político. Em dezembro ele foi afastado do PT e nesta quarta-feira (13), expulso da legenda em Aquidauana. 

O caso é investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher em Aquidauana. 

O crime

Os crimes do professor e dirigente partidário vieram à tona quando a vítima, que hoje mora em Campo Grande, foi passar um final de semana na casa da mãe, em Aquidauana. Lá, ela voltou a encontrar o criminoso que é amigo de confiança e de longa data da família. Ela teve uma crise de pânico e a amiga dela resolveu contar o segredo para a mãe. 

Segundo as denúncias, os abusos começaram quando ela tinha 8 anos. Em razão dos ataques, a vítima sofreu depressão, teve crises e tentou suicídio por várias vezes. Nessas ocasiões, diz ela, quem a levava para o hospital era justamente o agressor, tamanha a confiança que a família depositava nele. 

A garota abusada detalhou que chegou a se masculinizar, na tentativa que o agressor perdesse o desejo por ela, mas isso não teria adiantado. 

A irmã da vítima, que tem 15 anos, também revelou ter sido abusada. O caso já chegou à Delegacia da Mulher em Aquidauana. 

Após a divulgação do caso, outras vítimas passaram a denunciar crimes do professor.