Mato Grosso do Sul intensificou o planejamento para enfrentar possíveis impactos do El Niño após especialistas apontarem 81% de probabilidade de o fenômeno evoluir para um evento de alta intensidade, conhecido como "super El Niño", até o início de 2027. Entre os efeitos esperados estão chuvas intensas, ondas de calor, alagamentos, estiagens e prejuízos a serviços essenciais.
O cenário foi discutido durante reunião da Sala de Guerra, realizada nesta terça-feira (4), em Campo Grande. O grupo, coordenado pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (AGEMS), reúne representantes de órgãos públicos, concessionárias, Forças Armadas e especialistas para monitorar os riscos e definir ações preventivas.
Segundo a meteorologista Ana Paula Paes, responsável pela apresentação técnica, as projeções atualizadas indicam 97% de chance de o El Niño permanecer ativo até o início de 2027. Há ainda 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte.
Os reflexos mais significativos em Mato Grosso do Sul devem ocorrer entre outubro e dezembro deste ano, com aumento das temperaturas e chuvas concentradas em poucos dias.
"Não podemos controlar o El Niño, mas podemos controlar como estaremos preparados para seus impactos. A transformação de dados meteorológicos em decisões de negócios é o diferencial entre os órgãos que são resilientes e os que são reativos", afirmou a especialista.
Segundo os participantes da reunião, o fenômeno pode afetar diretamente o abastecimento de energia elétrica, a produção agrícola, os reservatórios de água e o transporte em rodovias, ferrovias e hidrovias.
O diretor-presidente da AGEMS, Carlos Alberto de Assis, afirmou que o objetivo da Sala de Guerra é integrar informações entre as instituições para ampliar a capacidade de resposta antes que ocorram situações de emergência.
"A Sala de Guerra é um espaço de planejamento e troca de informações. Quanto mais preparados estivermos e mais integradas estiverem as instituições, maior será a nossa capacidade de resposta diante de qualquer cenário", disse.
Durante o encontro, a Defesa Civil Estadual propôs que cada órgão apresente seus planos de contingência na próxima reunião, com a definição das responsabilidades de cada instituição em caso de eventos climáticos extremos.
Concessionárias de energia também apresentaram ações para reduzir os impactos de tempestades e queimadas na rede elétrica. Já a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semadesc) e o Imasul informaram que elaboram Planos de Ação Climática para 30 municípios considerados mais vulneráveis à escassez hídrica ou aos impactos da expansão industrial.
Na área da saúde, o Estado informou que mantém programas para auxiliar os municípios em situações de desastres naturais. A assistência social também trabalha para agilizar o atendimento às famílias afetadas por possíveis emergências climáticas.
Ao fim da reunião, os participantes definiram uma série de medidas, entre elas o compartilhamento permanente de dados meteorológicos, a revisão dos planos de contingência, o mapeamento de serviços essenciais e de públicos mais vulneráveis e a adoção de estratégias para reduzir os efeitos das altas temperaturas nas cidades.









