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Cidades

Para não acabar a festa, comissão negocia retorno do carnaval à Esplanada Ferroviária

MPE voltou a pedir que a festividade não seja realizada no local histórico, mas organizadores tentam acordo com moradores

26 setembro 2018 - 17h00Por Thiago de Souza

Secretarias estadual e municipal de cultura, blocos carnavalescos e associação de moradores da Esplanada Ferroviária em Campo Grande se reuniram e decidiram criar comissão para analisar a possibilidade do carnaval dos blocos continuar no local histórico da cidade. No entanto, nessa terça-feira (25), o Ministério Público volta a pedir a proibição da festividade na região. 

O objetivo, da reunião ocorrida na sexta-feira (21), em auditório da  prefeitura na Esplanada Ferroviária, foi encontrar soluções para que os prédios da região, que fazem parte do patrimônio histórico da cidade, não sejam afetados por conta do grande número de participantes do evento.

Outra questão a ser revolvida, dizem os envolvidos, é evitar transtornos envolvendo foliões, como pessoas que urinam em portas de residências, sexo, brigas e a própria permanência deles no local após o término da festa.
 
A reclamação de moradores da região chegou ao Ministério Público Estadual e a promotora de Justiça Luz Marina Borges sugeriu o fim da festividade na esplanada.

''Nós montamos uma comissão, cada um com um representante, para criar soluções e dar garantias para os moradores da Esplanada para que o carnaval de blocos possa ser mais organizado'', relatou Silvana Valu, líder de um bloco que desfila no carnaval.

''Queremos um acordo que agrade todo mundo. Abrimos o diálogo", disse Valu. Ela que organizou os primeiros carnavais de blocos da ferroviária, disse que ''daqui pra frente a gente quer montar o carnaval junto com a comunidade''.

Sujeira é uma das reclamações dos moradores quanto ao carnaval. (Foto: Wesley Ortiz)

Conforme Valu, o poder público deve colaborar para que haja maior organização na festa. Foi sugerido que o número de banheiros químicos disponibilizados pela prefeitura aumente, de preferência para 100. Também, que o policiamento, tanto da Guarda Municipal, como da Polícia Militar seja reforçado. Ainda, houve outra sugestão para solucionar o problema com os foliões.

''A Sectei sugeriu retornar os carnavais populares para que os foliões possam ir para outro evento, já que o desfile dos blocos na esplanada acaba cedo'', relatou Silvana.
 
A dirigente de bloco reconhece falhas na organização e diz que poderia ter conversado mais com os moradores da região antes de promover as festas na região.

''O bom da conversa é ouvir a opinião de todo mundo. Foi uma conversa muito positiva. Aliás, já deveria ter acontecido. Saímos de lá contentes com o resultado da conversa. os moradores se colocando à disposição da comissão'', refletiu a carnavalesca.

MPE diz que carnaval põe em risco a preservação do patrimônio histórico. (Foto: Reprodução Facebook)

Conforme o ator Vítor Samúdio, líder do bloco Capivara Blasé, tradicional na Esplanada dos Ferroviários, o poder público tem se mostrado a favor do carnaval na localidade por conta do aspecto econômico.

''Muitos moradores abrem suas portas para vender cerveja, alugam banheiros, tem gente que consegue 3 mil reais só alugando banheiro.'', destacou Samúdio. Ele pondera que transtornos inevitavelmente acontecem, principalmente em relação ao fechamento da 14 de Julho enquanto o comércio está aberto, mas justifica que ''são só quatro dias de festa''.

Vitor diz que a organização do carnaval vem evoluindo ao longo dos últimos anos. ''Foi por nossa provocação que a PM e a Guarda traçaram estratégias para a segurança da festa'', lembrou. Mas destaca que, no ano passado, o problema foi com foliões não quererem ir embora. ''Agora nós vamos discutir isso'', sugeriu o carnavalesco.  

Samúdio diz que moradores e organizadores vão tentar ajustar os pontos. Dando certo, eles devem procurar o Ministério Público para dizer que todos estão de acordo.

O MPE havia sido provocado pela associação de moradores  da Esplanada Ferroviária no dia 25 de julho, por conta de transtornos ocorridos durante a festa dos blocos no local  e abriu procedimento para investigar.  No dia 14 de setembro, a promotoria sugeriu que o carnaval não fosse mais realizado ali.

Nesta terça-feira, o MPE divulgou novamente uma recomendação para que a Prefeitura da Capital e organizadores encontrem outro local para realizar a festa, que não afete os ''bens culturais''.

Agora, o Município de Campo Grande terá o prazo de dez dias para que apresente informações à 26ª Promotoria de Justiça quanto à adoção ou não, das medidas recomendadas. Ainda conforme o MPE, a falta de atendimento a qualquer um dos itens da Recomendação poderá importar em providências judiciais e extrajudiciais cabíveis.