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Entrevistas

Mirando caminhos internacionais, Chicão Castro conta planos e memórias de uma vida musicada

Sucesso em bares e outros palcos Campo Grande afora, músico é incansável para alcançar os sonhos na carreira que ama

09 setembro 2018 - 09h30Por Amanda Amaral

O visual é novo, mas o coração cheio para falar sobre a música vem de nascença. Aos 31 anos, Chicão Castro é consolidado como um dos principais artistas de Mato Grosso do Sul, nato intérprete de canções brasileiras. 

Na voz e em qualquer instrumento que toque, talento e carisma são a fusão que faz lotar a agenda do músico campo-grandense, solo ou em parcerias, em bares ou amplos palcos. Multiartista, já pensou em ser engenheiro, rodou o Brasil com seus sons e também viveu por anos no Japão.

Confira abaixo a entrevista e conheça um pouco de sua história:

Sua relação com as artes, a música principalmente, vem de quando?

Minha mãe sempre foi uma boa ouvinte, sempre ouviu muita MPB de primeira, tudo mais. Comecei ouvindo com ela, em casa, e depois ganhei um violão das Casas Bahia, aos 10 anos. Era um tonante, que é o pior violão do mundo, mas eu amei e tenho ele até hoje. Foi com ele que comecei na música, ganhei duas revistinhas de violão, uma do Djavan, outra do Raul Seixas.

Comecei na verdade como baterista, fui para a igreja Sara Nossa Terra, lá tive minha primeira experiência tocando mesmo. Na escola Mace toquei com a minha banda, chamava ‘Boca de Lobo’, música brasileira e internacional, popzinho, em que fiquei até os 18 anos. 

Depois disso fui morar no Japão, por tês anos, fui trabalhar como operador de máquina. Sou neto de japonês, o pai da minha mãe é de lá. Nesse tempo, me apresentei em estações de metrô todas as quintas, que era o dia da minha folga, juntava um dinheirinho pra comer algo que eu gostava. 

E a volta pro Brasil, como foi?

Então, quando voltei comecei a procurar por barzinhos pra me apresentar, fui oferecendo meu trabalho, e com o tempo fui também tocando com outros músicos de Campo Grande. Fazia percussão, cajon, fui ficando conhecido nesse circuito de bares. 

Quais as influências que modelaram seu estilo de apresentação?

Sempre gostei muito de música brasileira, então foi natural que eu as tocasse mais. O Brasil é muito rico, axé, forró, samba, bossa nova, mpb, pop, sempre ouvi demais, sou uma grande mistura. Cada região, a música gaúcha também é maravilhosa.

A música regional também me influencia, toda a família Espíndola, Almir Sater, Paulo Simões, Geraldo Roca, Dani Black, muita gente, amo a música daqui, da minha geração e até a música sertaneja, a raiz. Não tem como não ser, o novo sertanejo não sou muito fã, não acho que as letras incitem coisas legais.

Além da referência que citei da minha mãe, minha família tem músico, meu pai baterista de jazz, foi de um grupo de teatro chamado Bataclan, de Aquidauana. 

Outros projetos também foram surgindo, quais foram eles?

Os artistas que já trabalhei também foram muitos, Marina Peralta, Gilson Espíndola, Márcio de Camillo, Lilian Maira, tanta gente, muita gente talentosa daqui. Com o Gustavo Vargas participei do ‘Estação Luz’, foi um projeto muito legal que durou um ano na Morada dos Baís, mas foi muito intenso. Acabamos por precisar dar ênfase em projetos paralelos depois, mas foi muito bom, e até refizemos um dia especial, mas gravamos DVD que deve sair ainda este ano.

A Trinka surgiu há um ano. O DJ Danilo Dan resolveu criar esse projeto e convidou o Fabio Adames, eles precisavam de um percussionista e ele sugeriu meu nome, disse ‘o Chicão é bem performático, vamos chamar ele, acho que vai dar certo’. Aí o nome foi a união de algumas coisas, somos três caras que gostam muito de jogar bozó (risos), foi ideal. O visual com a pintura no rosto foi ideia do Fabio também, criado pela maquiadora Larissa Escobar. Não podemos mais usar o nome por questão de registro autoral, mas logo vamos anunciar o novo.

E a mudança de visual, se deve também a essa repaginada meio inesperada?

Então, total, junto veio a mudança do cabelo, da barba e um pouco do som. Não é o visual mais queridinho, né, parece mais agressivo (risos), mas espero que as pessoas acostumem e não acabe atrapalhando nos outros projetos. O coração, a cabeça e o carinho continuam iguais. 

Vêm músicas novas por aí, o pessoal vai amar, estamos focando em projeção para fora do Estado, quem sabe do país, com música própria nacional e internacional. Vai ter participação com gente de fora, mas ainda não posso falar!

Como você avalia sua trajetória até aqui e quais são seus sonhos a serem ainda realizados?

Apesar das dificuldades que já passei, de me sentir humilhado e pensar em desistir, insisti em fazer meu trabalho com carinho e acho que isso tem dado certo. Você como músico nunca vai pensar ‘nossa, que vida fácil, maravilhosa’. Cheguei a fazer um ano de engenharia civil, mas o que aquilo tinha a ver comigo? Dedicação e acreditar, amar de verdade o que se faz é o que move. 

Meu maior sonho é, regionalmente, gravar um CD próprio, podendo ser com músicas de outras pessoas, já me que considero intérprete, e tocar nos festivais América do Sul Pantanal e o de Inverno de Bonito. Mas ainda estou começando, tem muito sonho, vamos ver. Agradeço todo dia a Deus poder fazer o que mais amo.

* Matéria alterada às 8h de 12/9 para correção de informações