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sexta, 25 de setembro de 2020
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Isolamento total: em cidades diferentes, mãe e filha não puderam se abraçar nem no aniversário

Há três meses, a saudade aperta o peito de mãe e filha, que se falam apenas por telefone

19 junho 2020 - 19h00Por Dany Nascimento

A pandemia do novo coronavírus gerou turbulência em milhares de famílias e fez a saudade aumentar entre aqueles que se amam. O toque, o abraço, a presença, o novo vírus chegou tirando os gestos de afeto e deixando apenas uma alternativa: o isolamento social.

Para a jornalista Anna Gomes, apaixonada pela mãe, Marlene Gomes, a decisão de mudar para o município de Bonito com o marido foi feita com duas condições, uma semana Anna na casa da mãe, outra semana, Marlene na casa da filha.

“Não vejo minha mãe há mais de três meses, desde quando começou o isolamento social.  A gente sempre foi muito grudada desde quando eu nasci, mesmo há um ano morando em cidades diferentes, pelo menos duas vezes no mês era sagrado eu fazer uma visita em Campo Grande. Era um fim de semana eu lá, e o outro, ela aqui. A gente ia revezando”, conta a jornalista.

Com a pandemia, devido à mãe se enquadrar no quadro de risco por ter diabetes, Anna teve que se manter distante. “Depois que o coronavírus apareceu, eu respeitei o isolamento e, por ela ser diabética, fiquei com muito medo de fazer uma visita mesmo de longe, já que ela é do grupo de risco.Conversamos todos os dias por telefone e mensagens, ligo pra ela pelo menos três vezes ao dia pra saber como está a diabetes dela. Até compra, eu peço e pago aqui de Bonito. Ligo em um supermercado de Campo Grande, do pai de uma amiga, aí compro o que ela precisa, transfiro o dinheiro e a compra chega na casa dela”.

Após 90 dias longe da mãe, Anna pretende fazer exame da covid-19 para matar a saudade. “Quero ir visitá-la, nem que seja de longe e com máscara, mas ainda tenho medo e quero fazer o exame da covid, vou fazer só pra ter certeza mesmo que não estou contaminada.  Ficamos distantes uma da outra em datas importantes para nós, como o aniversário dela, o meu aniversário, o Dia das Mães. Isso nunca tinha acontecido antes e eu nunca fiquei tanto tempo longe dela”.

A jornalista destaca que já foi ‘zoada’ por respeitar o isolamento social. “Muita gente diz que sou paranoica, mas não vejo como paranoia e sim como cuidado. Cuidar e querer o bem de quem amamos é cuidado e isso que eu sinto. Ela está bem mentalmente e também entendeu que é só uma fase que estamos passando. Que em breve a vida vai voltar ao normal, mas para isso acontecer, no momento, precisamos nos cuidar”.

“Minha mãe é tudo pra mim, amo cada pedacinho dela, do dedinho do pé até o fio de cabelo. Ela é minha melhor amiga e eu faço tudo por ela, da mesma forma que já fez e faz tudo por mim. Acreditar que isso é só um momento é o que me mantém firme, porque a saudade é diária. Não vejo a hora de tudo isso passar para poder dar um cheiro no cangote da minha mãezinha e sentir o cheirinho gostoso que só ela tem”, se declara a filha.

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