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No caminho da ajuda a outras pessoas, professor descobriu doador de medula compatível

Dedicado em campanha para doação de medula e sangue, Carlão fará transplante na próxima semana

3 OUT 2016
Amanda Amaral
15h58min
Foto: Reprodução/Facebook

Desde que recebeu o diagnóstico de aplasia medular, o professor de biologia Carlos Alberto Rezende, 52 anos, mais conhecido como ‘Carlão’, se dedica em acabar com mitos para incentivar doação de sangue e medula óssea em Campo Grande, após ver de perto como uma simples atitude pode salvar vidas. Depois de mais um ano na batalha contra a doença e muitas palestras sobre o tema depois, a grande notícia chegou: um doador compatível e a chance de realizar o transplante.

Empolgado, Carlão conta que embarca já na próxima semana para Jaú, no interior de São Paulo, onde está com cirurgia marcada e deve permanecer até o fim do ano para finalizar os procedimentos médicos. O procedimento não é simples, mas a sorte de ser um em 100 mil a encontrar a compatibilidade já é motivo para o professor, sempre otimista, achar mais motivos para não tirar o sorriso do rosto.

A emoção ao contar como ficou sabendo da notícia transborda nos olhos, enquanto classifica a sua vida resumida em três grandes milagres. O primeiro, em agosto de 2015, quando recebeu a confirmação de que não tinha leucemia; o segundo, a criação do Projeto Sangue Bom, do qual é presidente e está se firmando como instituição; e o terceiro, a chance de uma vida saudável.

Foto: Reprodução/Facebook

“Hoje vejo que eu tinha que passar por tudo isso para criar o projeto. Há ainda muita falta de informação a respeito de doenças que necessitam do transplante, da doação de sangue, há um medo infundado que paralisa as pessoas”, avalia o professor.

Há um ano realizando cerca de cinco palestras por semana em escolas, empresas e outros locais, Carlão conta que, apesar de ainda ter como avançar, o índice de doações em Campo Grande aumentou em 85% nos últimos doze meses. “Isso é um sinal de que o brasileiro é solidário em essência, é só a sociedade que anda cada vez mais individualista. Mas eu acredito sim que dá pra mudar e está mudando”, diz.

Envolvido ‘24 horas por dia’ com o projeto, o professor pretende avançar nas ações e garantir a conquista também para outras pessoas. “Fiz muitos amigos nessa caminhada, que não é fácil, mas pode melhorar. As pessoas precisam de informação, porque ainda que o sistema de distribuição de medicamentos e a fila de espera funcione para alguns, outros não têm acesso”.

Foto: Reprodução/Facebook

Na página ‘Amigos do Carlão’, com mais de três mil likes no Facebook, ele conta novidades sobre sua rotina e as atividades do projeto, onde também recebe o apoio de ex-alunos, amigos e até pessoas que nem conhece, mas abraçaram a causa. Entre alguns dos apoiadores, o professor cita a escola Nota 10, Tribunal de Contas do Estado, secretarias Municipal e Estadual de Educação, Agepan, IBGE, escola Arlindo de Andrade Gomes e outros.

Passos para a doação

Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde pode doar medula óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias. A punção é feita diretamente na medula óssea do osso, o doador é anestesiado para que não sinta dor, e o procedimento dura apenas 40 minutos.

Contudo, primeiramenta doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5 ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.

Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante. Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.

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