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Reféns da criminalidade, moradores do Santa Luzia optam pelo 'toque de recolher'

Segundo moradores, falta de policiamento abre 'portas' para bandidos

31 OUT 2016
Kerolyn Araújo
16h44min
Foto: André de Abreu

O clima de insegurança toma conta dos moradores do bairro Santa Luzia, na região norte de Campo Grande e, por medo, eles acabam fazendo o próprio 'toque de recolher' e ficam reféns dentro das próprias casas.

Moradores do bairro há 30 anos, os aposentados Valetim Ferreira da Silva, 74 anos, e Neuza de Alencar, 73 anos, tomam todos os cuidados para evitar que sejam vítimas da violência que toma conta da região. Conforme Valentim, o problema no bairro está ligado a falta de policiamento. 

"A polícia nunca faz rondas no bairro. Só aparecem aqui quando alguém morre. "Se tivesse um policiamento mais intensivo, principalmente no período da noite, acredito que ajudaria muito", disse.

Residindo no bairro há três décadas, dona Neuza afirma que já presenciou muitos casos de violência. "Já roubaram a casa da vizinha da frente e uma outra moça foi assaltada no ponto de ônibus. Os maridos precisam acompanha-las nos pontos até o ônibus passar, porque está tendo muitos assaltados", explicou. 

Para evitar serem vítimas da criminalidade, além do 'toque de recolher', o casal também não sai de casa com nenhum produto valioso. "Quando preciso ir ao centro da cidade, tiro corrente, pulseiras, relógios, aneis... qualquer coisa que possa chamar a atenção", ressaltou a aposentada. "Aqui, quando da 18hrs, entramos para dentro de casa e trancamos a porta. Só atendemos se algum conhecido chamar no portão e a gente reconhecer a voz", completou Valentim.

Comerciante no bairro há 14 anos, Genivaldo Germano de Carvalho, 50 anos, já teve o estabelecimento roubado  três vezes, sendo as duas primeiras praticadas pelo mesmo bandido. "Ele disse que queria comprar carne. Quando sai do caixa para ir ao açougue, ele roubou o dinheiro do caixa. Isso aconteceu duas vezes, mas o prejuízo foi pouco porque não deixo muito dinheiro no local. Na terceira vez, o ladrão entrou pela janela e causou um prejuízo de mais de R$2 mil só em bebidas quebradas", contou.


Ainda conforme o Genivaldo, a onda de roubos em pontos de ônibus estão cada vez mais frequentes no bairro. "Sempre os clientes comentam os casos. Geralmente são adolescentes que roubam celulares para trocarem por drogas. Na praça, eles fumam maconha em plena luz do dia", detalhou.

Segundo o comerciante, que abre o mercado cedo e só fecha no final da noite, a única segurança do bairro vem do céu. "Temos a proteção de Deus. Se tiver medo, a gente não trabalha".

 

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