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Lideranças indígenas não acreditam em definição do governo federal no próximo dia 30

Conflitos Indígenas

12 NOV 2013
Redação
16h47min
Líder indígena, Lindomar Ferreira - Foto: José Cruz

O conflito entre produtores e indígenas está longe de acabar. Já são 79 propriedades invadidas em Mato Grosso do Sul, desde o início do ano. O governo federal prometeu definir até o final do mês (30 de novembro), um calendário de indenizações aos produtores, porém, já foi sinalizado na semana passada, no Congresso Nacional, que a União não tem recursos para iniciar os pagamentos.

 

No último dia 7 de novembro, os produtores se reuniram na Acrissul para definir quais medidas tomar com relação ao assunto e aguardam a posição oficial. Foi definido que irão levantar fundos para realizar mobilizações nas terras invadidas e para levarem grupos que irão se manifestar na Capital federal.

 

Do outro lado, os indígenas também aguardam com inquietude, porém estão descrentes que uma solução será divulgada para resolver o problema. O líder indígena da aldeia Cachoeirinha, Lindomar Ferreira disse estar desapontado com a última reunião realizada em Mato Grosso do Sul, já que o governo estadual afirmou não possuir terras para realocar os grupos indígenas espalhados em várias regiões.

 

“Sinceramente não tenho esperanças que o impasse se resolva. Tivemos duas reuniões em agosto, na primeira o governo estadual afirmou que iria disponibilizar 16 mil hectares para assentar os manifestantes. Na última, realizada em 27 de agosto, afirmou que não tinha esta área e que a responsabilidade era do governo federal. Então voltamos a posição inicial de não ter nada definido”, relatou Ferreira.

 

Na avaliação do líder indígena as afirmações geram um clima de insegurança na mesa de negociações dos dois grupos. “Estas reuniões serviram apenas para apasiguar os ânimos, pois o governo não assumiu nada do que falou até agora. Só por um milagre conseguiremos uma definição consistente”, opinou.

 

Com relação a Funai, o indígena afirma que o órgão tem feito seu papel, mas como é subordinada ao governo federal, só consegue ir até um ponto e fica impotente para prosseguir. “A Funai está para os indíos como a CNA está para o agronegócio, porém não dá para fazer tudo, a fundação tem que acatar as ordem do alto escalão”, argumentou.

 

Mesa de negociação – O advogado e líder do povo Terena, Luiz Henrique Eloy é da mesma opinião que não há nada definido até o momento e a posição do Estado foi um 'balde de água fria' na esperança de produtores e indígenas. “Primeiro afirmaram que tinham terra para realocar os indígenas, depois que não. Também não existe dinheiro para pagar as indenizações, então não temos nada concreto”, ressaltou.

 

Eloy revelou que os povos Terenas e Guarani Kaiowá entregaram uma lista de prioridades no período de negociação, porém, estão indignados com a falta de posições claras. “O grupo já falou que não irá mais comparecer aos encontros enquanto não houver informações concretas”.

 

O advogado destacou ainda que a única região que poderia ter um desfecho é onde se localiza a aldeia Buriti (região de Aquidauana), porém alguns produtores se negaram a receber o grupo de trabalho escolhido para avaliar as terras, o que na avaliação de Eloy, irá dificultar o trabalho. “Com a negação dos proprietários de terras em receber as equipes, o trabalho fica emperrado e o fim do ano já está aí. Se não resolver agora, ano que vem é que não vai acontecer nada, já que temos carnaval, copa do mundo e eleições”, desabafou.

 

A reportagem do Top Mídia News entrou em contato com a assessoria de imprensa da Funai, com sede em Brasília, no entanto, até o fechamento da matéria não recebeu retorno.

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