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19/12/2018 17:00

Vamos desconectar e tomar tereré? Especialista de MS alerta para problemas do vício em celular

Problemas decorrentes da dificuldade em deixar as redes sociais de lado incluem depressão e ansiedade

É preciso se desconectar do celular para se reconectar com o mundo real à nossa volta. Essa é uma indicação do psicólogo Renan Soares Junior, especialista em psicologia de comunicação e marketing, baseado na realidade inegável de que todos estamos cada vez mais dependentes da internet e nossos aparelhos celulares.

O problema tem nome: nomofobia, e significa desconforto ou angústia resultante da incapacidade de acesso à comunicação através do celular ou computador. “As pessoas têm pavor de perder o que está acontecendo, de não fazerem parte de algo. Ninguém consegue mais ficar ‘offline’, seja após o trabalho, seja de noite quando é a hora de descansar, e essa ansiedade afeta todos os nossos relacionamentos, amorosos, de amizade, familiares”, classifica o especialista.

O vício é como qualquer outro, se há suspenção do uso, há sintomas de abstinência. Nenhuma faixa etária está fora dessa estatística de dependência, mas são os adolescentes e jovens adultos, entre 13 e 25 anos, quem mais chegam aos consultórios psicológicos relatando o distúrbio. Muitos, inclusive, têm mais relações online do que fora da internet.

“As pessoas ainda estão perdidas em como lidar com isso. Vemos o reflexo na agressividade, percebemos bem isso nos últimos episódios eleitorais. Os valores e personalidade de cada um são os mesmos, mas muitas vezes há uma certa percepção de que na internet é ‘liberado’, há um sentimento de proteção principalmente no comportamento ‘de manada’”, diz.

Educação, comparação e como escapar

O psicólogo alerta para uma atitude bastante comum nas famílias e que pode ser nociva ao desenvolvimento de crianças. Pais, muitas vezes cansados após rotina de trabalho, contam com o celular ou o tablet como ‘babás’ para garantir a distração dos filhos, que respondem rapidamente ao estímulo dos jogos e filmes nos aparelhos.

Quando o acesso dessas crianças e adolescentes parte para as redes sociais, chega a incansável comparação de likes, seguidores e estilo de vida. Coisas que os adultos conectados já sentem, muitos até têm os números como ferramenta de trabalho.

O comportamento pode ser inevitável, mas é nocivo e precisa de atenção, alerta Junior. “Seria como comparar sua vida à uma novela, artificial, construída. As pessoas vão colocar ali o que querem, filtrar, produzir aquela foto. Algumas hashtags são justamente isso, a pessoa tenta buscar seus momentos felizes pra agregar valor à sua vida mostrada aos outros”.

A forma mais eficaz de fazer isso é voltar aos tempos antigos, pelo menos por um tempo, e organizar o cronograma de atividades diárias para conciliar os prazeres e deveres. “A leitura, a convivência com outras pessoas é fundamental. Antes tínhamos movimentos comunitários muito mais presentes, tínhamos roda de tereré sempre em frente às casas, na calçada, hoje não temos mais tanto. São sinais dos tempos”, finaliza. 

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