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PM de SP cria projeto que distribui coletores menstruais

Iniciativa distribuiu cerca de 350 coletores nos últimos três meses

12 outubro 2021 - 12h08Por Rayani Santa Cruz

O policial militar Maurício Ferreira Lima, de 35 anos, distribui, há cerca de três meses, coletores menstruais na Zona Norte de São Paulo. Neste tempo, foram entregues cerca de 350 coletores nos bairros da Brasilândia, Jardim Helena e Vila Maria. As informações são do G1.

"Sou um defensor da entrega gratuita de coletor menstrual e absorventes para as mulheres", afirma Cabo Ferreira Lima, como é conhecido.

O coletor é um copinho de silicone usado para coletar o sangue da menstruação dentro do canal vaginal, e passou a ser uma alternativa aos absorventes mais tradicionais há alguns anos. Segundo o PM, a alternativa foi escolhida pelo custo-benefício, já que um coletor pode ser reutilizado por até um ano se mantido e higienizado corretamente.

O dispositivo ainda é desconhecido por muitas mulheres, e durante as entregas, Ferreira Lima conta com a ajuda de parceiras do projeto e de assistentes sociais que ajudam a explicar como ele funciona. E o próprio policial também orienta as mulheres sobre o uso.

"Não vejo como tabu, é da natureza feminina. Tem vídeos hoje em dia, com a explicação simples. Você dobrou o coletor, introduziu, ele vai se abrir no canal [vaginal] e fazer uma vedação. E aí encaixando, a mulher fica segura", explica o PM.

Na última quinta-feira (7), o presidente Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes íntimos. Cabo Ferreira defende que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve distribuir ao menos uma opção para as pessoas que menstruam, sejam absorventes tradicionais ou coletores menstruais.

"É um projeto que é de interesse de todas as mulheres, ter no mínimo essa opção", disse Ferreira Lima. "Fiquei chateado, fiquei triste com o veto", afirma.
A distribuição de coletores é uma das ações sociais promovidas pelo policial militar, que também combate a violência contra a mulher e conscientiza sobre as ações de prevenção ao câncer de mama. Há cerca de 15 dias, ele deu um nome aos projetos que já realizava - "Basta". O símbolo do projeto é um X vermelho na mão, que simboliza o pedido de socorro de mulheres vítimas de violência.

Ferreira Lima conta que seu universo familiar foi o que o levou a ter um olhar mais atento para os direitos das mulheres. Orfão da mãe aos 9 anos, ele foi criado por duas tias, é caçula de duas mulheres, e pai de duas filhas. Além disso, há 15 anos, sua primeira ocorrência atendida como policial militar foi um caso de violência doméstica.

"Tenho duas meninas e quero um futuro melhor para elas, referente a amparo social e leis mais severas em crimes de violência doméstica", disse Cabo Ferreira.