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Desenvolvedor do Sigo fala em calote e diz que não tem como manter sistema no ar

Empresa está sem contrato com o governo desde fevereiro, segundo o empresário

16 SET 2016
Kerolyn Araújo
17h01min
Foto: Reprodução

O Sigo (Sistema Integrado de Gestão Operacional), principal ferramenta utilizada pela polícia para registrar boletins de ocorrência e cruzar dados de crimes que auxiliam nas investigações, está novamente apresentando falhas. Dessa vez, por problemas financeiros, que o Governo do Estado nega.

Conforme o empresário e desenvolvedor do software, Adriano Chiarapa, a ferramenta não está funcionando normalmente devido a falta de manutenção, que se deve ao não pagamento do serviço pelo governo do Estado. "Estamos sem contrato desde fevereiro, ou seja, não estamos recebendo e não temos equipe para fazer as manutenções necessárias", esclareceu.

O empresário explicou ao TopMídiaNews que o Sigo é um sistema gigantesco e que não tem como ser mantido em perfeitas condições de funcionamento sem as manutenções. "Se alguma parte do sistema apresenta um problema que antes era resolvido em dois dias, agora levamos até três semanas. Não tenho como ter uma equipe para fazer esse serviço sem o pagamento do Estado", disse. "Estamos tentando conscientizar o governo de que o serviço que está sendo oferecido é ruim por causa da falta de equipe. Não estamos fazendo pressão", ressaltou.

De acordo com Chiarapa, o contrato do serviço é de pouco mais de R$ 700 mil e, mesmo sem receber há sete meses, o software nunca foi tirado do ar. O empresário também informou que caso um novo contrato seja assinado, o valor dos meses que não foram pagos não serão cobrados. "Minha empresa cobrará apenas o que for acertado daqui pra frente", finalizou.

Na manhã desta quinta-feira (15), o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), disse que o Sigo é uma herança do governo anterior e ainda questionou como o Estado ficou 'refém' da ferramenta. "Existe pressão por parte da empresa e não vamos ceder. Só renovaremos o contrato quando tivermos uma segurança jurídica", disse Azambuja.


Paralisação da Polícia Civil

O Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol-MS), realizará no próximo sábado (17), uma assembleia geral para discutir o tema, já que estão sendo prejudicados pela falha do sistema. Eles estudam uma possível paralisação caso o Sigo não volte a funcionar normalmente.

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