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sábado, 23 de outubro de 2021 Campo Grande/MS
Interior

Câmara exige explicações sobre 'farra do combustível' e pode abrir até CPI em Coxim

Cinco parlamentares já assinaram o requerimento que será enviado à Prefeitura

17 agosto 2021 - 15h00Por Thiago de Souza

Vereadores apresentaram, nesta segunda-feira (16), requerimento exigindo explicações sobre a chamada ‘’farra do combustível’’ na Prefeitura de Coxim. Se as justificativas para os gastos desenfreados não forem satisfatórias, uma CPI pode ser instaurada. 

O vereador Abilio Vaneli, do PT, e mais quatro parlamentares tiveram a iniciativa de protocolar o requerimento na Casa de Leis. O parlamentar disse que soube do caso por meio da imprensa e, por isso, precisa de documentos para avaliar a situação. 

Conforme o texto do requerimento, obtido pelo TopMídiaNews, os vereadores solicitaram à Prefeitura um relatório com a identificação de quantos ‘’cartões-abastecimento’’ existem no Executivo, quem são os responsáveis pelo uso e a quantidade gasta por cada um, de janeiro até julho de 2021. 

‘’Vamos além do que foi noticiado. Pedimos esclarecimentos dos gastos com combustíveis de todas as secretarias’’, disse Vaneli. 

Abilio destacou que, neste momento, trata-se apenas de requerimento para cobrar esclarecimentos e que, em nenhum momento, especulou-se a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito. 

‘’Para ter CPI é preciso alguma coisa mais sólida, tem que ter documentação. A hora que chegar essa documentação a gente avalia’’, comentou o vereador petista. 

Ainda segundo o parlamentar, o requerimento foi protocolizado por volta do meio-dia desta segunda-feira. O documento já foi assinado por cinco vereadores e o será apresentado aos demais legisladores nesta terça-feira (17). 

‘’Acredito que todos os vereadores vão apoiar... ‘’, estimou Abílio. 

Farra do combustível

Documento vazado para a imprensa na semana passada mostra que, o cartão-combustível cadastrado no CPF do chefe de gabinete do prefeito Edilson Magro, Ivaldo Ferreira Lopes, teve custo mensal de R$ 4 mil. 

Segundo a apuração, o cartão teve utilização média de 4.218,56 litros de gasolina em 7 meses. São 602,65 litros por mês e 20,08 litros por dia. Em diesel foram utilizados 2.134,07 litros em sete meses, com 304,86 litros por mês e 10,16 litros por dia. O documento aponta que no uso de 10 km de rodagem por litro chega a quantia de 63.526,30 quilômetros rodados em sete meses, com 9.075,18 por mês e 302,50 por dia. 

Falta de identificação

No início da semana passada, o então procurador-geral do Município, Adriano Loureiro Fernandes, ficou sabendo do caso e encaminhou ofício para a prefeitura, exigindo explicações. No entanto, no dia 11, ele foi demitido pelo prefeito. 

O ofício da Procuradoria observou que existe a ausência de identificação [como regra] dos veículos beneficiados com o abastecimento relatando a falta de placas, modelo e quilometragem inviabilizando a transparência sobre o uso. 

Também foi indicado que foram vários abastecimentos ao dia, principalmente em 5 de maio de 2021, e que a quantidade de litros de combustível é superior à média da frota municipal. Em especial são apontados os carros usados pela chefia de gabinete. 

Entre os questionamentos, a PGM de Coxim quis saber sobre o número de veículos abastecidos de janeiro a julho, se os veículos são pertencentes a frota municipal ou particulares e quais são; motivos de não haver identificação dos veículos, justificativas e se o chefe de gabinete tem conhecimento dos fatos. 

O chefe de gabinete ainda foi questionado se possui outro cargo fora da gestão municipal como algum programa de rádio e se os patrocinadores possuem vínculo com o município.

O outro lado

Todos os questionamentos foram encaminhados para a assessoria de comunicação do município. As respostas serão inseridas, assim que haver retorno.