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Interior

Universitários são abordados pela polícia e denunciam censura em debate sobre fascismo

Justiça Eleitoral pediu suspenção da atividade aberta de temática contra posturas fascistas e violentas

25 outubro 2018 - 15h56Por Amanda Amaral

Alunos da Universidade da Grande Dourados que realizavam ato intitulado ‘Esmagar o Fascismo’ foram surpreendidos por notificação judicial e a Polícia Federal em pleno campus. O Diretório Central dos Estudantes realizava a atividade na manhã desta quinta-feira (25), no Centro de Convivência da Unidade 2, quando houve a interrupção.

“[...] por volta das 11 horas recebemos um mandato judicial para suspender a atividade. 
O microfone estava livre para estudantes que se manifestavam sobre a conjuntura politica, as posturas de ódio, violência e a ameaça fascista. No momento da chegada do mandado, as falas foram interrompidas”, diz comunicado na página do diretório no Facebook.

O mandado de notificação do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosos do Sul, em Dourados, foi assinado pelo juiz eleitoral Rubens Witzel Filho. “[...] notifica na pessoa do reitor ou seu representante legal, para que seja proibida a realização da aula pública referente ao tema 'Esmagar o Fascismo', que seria realizada nesta quinta-feira (25), às 10h, nas dependências da universidade”, era só o que dizia a determinação.

Os estudantes afirmam, contudo, que o ato não tinha viés partidário ou qualquer vínculo contra ou a favor de candidatos. A Polícia Federal teria ainda, segundo os organizadores, abordado integrantes do DCE, coletado nomes e tirado fotos da bandeira da organização. 

O ato acontece uma semana após episódio polêmico na universidade. No dia 17 de outubro, mural em que estudantes se manifestavam contra a violência, o assédio nas universidades, machismo, opressões de gênero e propagação do ódio foi alvo de atos intimidatórios. Os cartazes foram rasgados, rabiscados de caneta com ameaças, mensagens de inclinação política ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) e símbolos nazistas.

Sobre o episódio, a universidade se posicionou em repúdio ao ato de depredação. “Destacamos que a UFGD não compactua com ações que busquem diminuir ou invalidar a necessidade pedagógica de informar e conscientizar a comunidade acadêmica em temáticas necessárias para a garantia do respeito nas relações e de promoção da vida saudável no ambiente universitário, sejam temáticas relacionadas aos assédios morais e sexuais, sejam temáticas sobre saúde mental ou sejam ainda, relacionadas à prevenção de doenças”, diz nota oficial.