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Polícia

Acusado de matar delegado se emociona em depoimento e diz que foi coagido pela polícia

'Eu não acreditei na polícia, se não tivesse ficado em silêncio não estaria aqui', disse José Moreira

15 agosto 2018 - 11h42Por Dany Nascimento e Anna Gomes

Durante depoimento na 2° Vara do Tribunal do Juri, em Campo Grande, o guarda municipal José Moreira Freira, um dos acusados de matar o policial aposentado Paulo Magalhães, se emocionou e disse que foi coagido para confessar um crime que não cometeu. “Eu não acreditei na polícia, se não tivesse ficado em silêncio não estaria aqui. Policiais diziam que se não confessasse esse crime, eu seria considerado culpado de outros vários homicídios sem solução”.

Ele disse que se deslocava para o trabalho no horário em que Magalhães foi assassinado, no dia 25 de junho de 2013. José trabalhava como segurança no hospital El Kadri e atuava como guarda municipal em uma escola agrícola, próximo à chácara onde morava.

“Quando eu estava tirando plantão na escola agrícola, uma pessoa desconhecida chegou, perguntou se eu era o José, eu disse que sim. Ele falou que eu ia morrer, que era acusado da morte de um delegado. Entrei em parafusos, fiquei nervoso com a notícia, pedi para outro guarda pegar meu plantão, fui em casa e deixei R$ 600 para os meus filhos e fugi para uma casa aqui na cidade”, disse José.

O acusado contou que procurou um advogado, mas também foi coagido pelo profissional. “Procurei um advogado a princípio, mas não botei muita fé porque ele queria, juntamente com delegado, me forçaram a confessar o crime. Chegavam na cela e mandavam eu confessar logo. Queriam simplesmente que eu confessasse, mas eu, por ser da segurança, conheço o meio policial e sei que seria torturado, eu não acreditei na polícia”.

Sobre a contratação de Renê Siufi como advogado de defesa, José disse que a contratação foi feita pela esposa. “Os honorários do Renê Siufi custam R$ 1,5 mil, que não tinha sido pago até o ano passado, porque minha esposa ficou desempregada”.

Testemunha de Acusação

O juiz Aluízio Pereira dos Santos também ouviu o delegado  Alberto Vieira Rossi, que na época do crime era titular do Garras. Ele participou das investigações junto com a Delegacia de Homicídios e a 1° Delegacia de Polícia. Alberto trabalha na polícia há 28 anos e disse que o carro de José, um Pálio de cor preta, foi identificado nas imagens rondando a casa e a escola da filha de Paulo Magalhães, local onde ele foi morto.

“Fui até local do crime, fiz levantamento das filmagens e identifiquei uma motocicleta CB 300 de cor vermelha e um Pálio de cor preta, que teriam circulado durante a manhã próximo da casa do delegado e da escola onde a filha estudava. Dois dias antes do crime, teve uma explosão no Banco do Brasil. Um dia depois, policiais da Derf descaracterizados teriam abordado esse veículo Pálio, o mesmo que participou da morte do Paulo Magalhães. Com essa informação, abordaram dois homens dentro do veículo, mas eles não foram presos. Era o mesmo veículo”, disse a testemunha de acusação.

Na contramão, mesmo sendo dono de um veículo Pálio de cor preta,  José disse que não houve abordagem no dia anterior ao crime.

O caso

O delegado aposentado da Polícia Civil, Paulo Magalhães, foi assassinado a tiros no dia 25 de junho de 2013, perto da escola da filha, no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande. No local do crime, peritos encontraram quatro cápsulas de pistola nove milímetros, de uso permitido da polícia.

No total, três homens são suspeitos de cometer o crime: José Moreira Freire, o vigilante Antônio Benites Cristaldo e Rafael Leonardo dos Santos, que morreu dias após o crime. A polícia acredita que a execução de Leonardo seja queima de arquivo e o assassinato foi extremamente brutal.

“Ele teve os membros cortados por uma serra elétrica, ou facão ou uma foice, algo do tipo. Por ele ser mais novato envolvido, foi morto para não contar nada sobre o crime”, diz Alberto. Rafael tinha passagem por receptação.