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Polícia

Adolescentes que espancaram Gabrielly não podem responder por homicídio, admite polícia

Apesar disso, a polícia garante que elas não devem ficar impunes pelo crime

25 fevereiro 2019 - 17h00Por Dany Nascimento

As adolescentes que agrediram Gabrielly Ximenes de Souza, 10 anos, em novembro do ano passado, na saída da escola Lino Vilachá, em Campo Grande, continuam negando participação no caso, mas terão o futuro decido por um juiz da infância.

De acordo com a delegada da DEAIJ (Delegacia Especializada em Atendimento à Infância e Juventude),  Ariene Murad, testemunhas que presenciaram as agressões confirmaram que, após brigar com uma colega de sala da mesma idade, Gabrielly teria sido agredida por duas adolescentes fora da escola.

“As testemunhas confirmaram os fatos, todas com a mesma versão de que a criança foi agredida com socos e mochiladas. Inclusive, uma mãe de aluno viu tudo e confirmou os fatos. Gabrielly brigou dentro da escola com uma menina que era da mesma sala que ela, ambas do 4° ano, e, do lado de fora, as adolescentes bateram nela, conforme testemunhas”, diz a delegada.

Ariene explica que as duas adolescentes devem responder por lesão corporal dolosa porque não tinham conhecimento de que Gabrielly era portadora de imunodeficiência primária. “Elas não tinham conhecimento de que a criança tinha imunodeficiência, sendo assim, não respondem por homicídio, mas sim por lesão corporal dolosa com resultado morte", explica.

"Vamos enviar o caso para o juiz da infância, que deve definir quais medidas serão tomadas. De acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente, é passível de internação, mas o juiz é quem vai definir. Elas podem ter liberdade assistida, podem efetuar a prestação de serviços sociais, isso tudo será definido pelo juiz”, ressalta.

Conforme a delegada, Gabrielly foi a óbito porque foi agredida na saída da escola. “A criança tinha imunodeficiência primária, que é difícil de ser detectada e, conforme o histórico clínico, ela tinha várias passagens nas unidades de saúde. De acordo com o fluxograma do evento, Gabrielly tinha imunodeficiência primária, teve o trauma no dia 29 de novembro, que evoluiu para uma artrite séptica, septicemia, tromboembolismo pulmonar e a morte no dia 6 de dezembro, às 6h25 da manhã. Temos um laudo do Instituto de Medicina e Odontologia Legal, um laudo de necropsia que o perito fez exame anátomo patológico, onde cinco órgãos foram analisados”.

O caso

Gabrielly Xinemes teria sido espancada após a escola por uma criança de 10 anos e outras duas meninas de 13 anos. O caso ocorreu no dia 29 de novembro na saúda da escola Lino Vilachá, no bairro Nova Lima em Campo Grande. A família teria acionado o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a criança foi atendida na Santa Casa. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, Gabrielly passou por exames e nenhuma lesão foi constatada.

Em casa, a menina começou a reclamar de dores na virilha. Ela foi levada para uma Unidade de Saúde, em seguida par ao CEM. “Colocaram uma tala na perna dela, mas ela sentiu mais dores ainda. A dor era na virilha e não na perna. Chegou um momento, que minha filha começou a ficar muito febril e não andava mais, daí levamos ela novamente na Santa Casa”, conta o pai.

A menina deu entrada na Santa Casa, passou por exames, que constataram que a menina estava com artrite séptica (infecção no líquido e tecidos de uma articulação, geralmente causada por bactérias, mas ocasionalmente por vírus ou fungos). Ela passou por cirurgia, teve quatro paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.