Ao longo das investigações, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul identificou que Alir Terra Lima recebeu mais de R$ 200 mil diretamente de Paulo da Cruz Duarte, empresário cujas empresas passaram a ser contratadas pela Operadora Santa Casa Saúde durante a gestão dela.
Segundo o Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC), a movimentação bancária revela um fluxo financeiro pessoal entre a então diretora-presidente da Santa Casa de Campo Grande e Paulo, apontado ainda como seu sócio e parceiro profissional na advocacia.
A relação entre os dois, conforme os investigadores, antecedia a chegada de Alir à presidência da instituição. Dados telemáticos indicaram que ambos mantinham escritório de advocacia em conjunto, atuavam nas mesmas causas e compartilhavam endereço comercial.
Foram encontrados recibos emitidos pelos dois, peças processuais assinadas conjuntamente e papelaria profissional com os nomes de Alir e Paulo. Um documento de janeiro de 2019, segundo o MP, mostra os dois declarando conjuntamente o recebimento de honorários de consultoria.

(MPMS)
Após Alir assumir a presidência da Santa Casa, em fevereiro de 2023, empresas controladas ou representadas por Paulo passaram a atuar em diferentes setores da Santa Casa Saúde.
A investigação identificou contratos envolvendo assessoria jurídica, atendimento telefônico, cobrança, emissão de boletos, comercialização de planos, administração de benefícios, entrevistas de saúde, telemedicina, publicidade e outras atividades.
Os investigadores buscam esclarecer a origem, a natureza e a justificativa dos valores transferidos, além de eventuais relações com os contratos mantidos pelas empresas do grupo.
Operação
Ao todo, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
O contrato investigado previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano para a digitalização dos prontuários da Santa Casa. Com duração de três anos, o acordo poderia chegar a R$ 5,4 milhões.
Conforme o MPMS, no primeiro ano de execução foram identificados pagamentos elevados sem que os serviços contratados fossem efetivamente prestados. O prejuízo estimado nessa frente da investigação chega a R$ 1,4 milhão.
As apurações também avançaram sobre contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com outras empresas do mesmo grupo econômico.
Segundo o Ministério Público, essas empresas tinham como proprietário uma pessoa ligada à diretoria da Santa Casa e estavam registradas no mesmo endereço, que, na prática, estaria desocupado.
Somente em 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões foram pagos pela operadora a essas empresas, segundo a investigação. O MPMS aponta que os contratos teriam provocado um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões.
Os dois casos já identificados somam mais de R$ 4,9 milhões em prejuízos à Santa Casa. O valor, porém, ainda pode aumentar, já que a investigação continua.
O MPMS também afirma que contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente omitidos de órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.








