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Alvo da Lava Jato, empresário divulgava operação nas redes sociais

Dono da Move Club, Thiago Cance foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento na PF

26 SET 2016
Diana Christie
15h27min
Foto: Reprodução/Facebook

Na mira da Operação Omertà, mais um desdobramento da Lava Jato, o empresário Thiago Nunes Cance costumava acompanhar as investigações, sempre compartilhando notícias do assunto nas redes sociais. Em uma das últimas postagens no Facebook, ele destaca a prisão do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Dono da boate Move Club e um dos sócios da antiga Woods, Thiago foi alvo de mandado de condução coercitiva para prestar depoimento na Polícia Federal, na manhã desta segunda-feira (29). Ele é suspeito de ter recebido recursos ilícitos de esquema de corrupção envolvendo a Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A).

De acordo com o MPF (Ministério público Federal), em análise de documentos apreendidos na investigação, “foram identificadas entregas de recursos ilícitos pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht para as pessoas referidas como ‘Rovério Pasotto’ e Thiago Cance, tendo ambas as entregas sido programadas, ao que tudo indica, em sequência ou de forma conjunta”.

Foto: Reprodução/Facebook

Rovério Pasotto Junior é Gerente de Planejamento e Projetos da Sanasa, “instituição envolvida em investigações de corrupção em relação a contratos firmados durante a gestão do ex-prefeito de Campinas, Helio de Oliveira Santos”. Já Thiago Cance é filho de Aurélio Cance Junior, condenado por envolvimento no escândalo durante a gestão de Hélio, que ficou conhecido como ‘República de MS’.

“Verificou a autoridade policial que no endereço da entrega destinada a Thiago Cance (outro hotel), foi confirmada a existência de três hospedagens do investigado no ano de 2010, sendo que, em duas das três vezes, Thiago Cance deixou o hotel na mesma data de sua entrada, circunstância essa que reforça a convicção de que, de fato, a sua estadia no hotel tenha sido concretizada unicamente para receber os recursos ilícitos a ele destinados”, diz o MPF.

Segundo os investigadores, Thiago precisava prestar depoimento, pois “a análise precisa dos fatos e a adequada delimitação do motivo e das circunstâncias que envolveram a entrega dos recursos demanda o aprofundamento das investigações”.

Operação

Além de Mato Grosso do Sul, os 45 mandatos judiciais, sendo 27 de busca e apreensão, três de prisão temporária e 15 de condução coercitiva,  foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal.

No total, 180 Policiais Federais e Auditores Fiscais em sete estados e o ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o ex-secretário da Casa Civil, Juscelino Antônio Dourado, e Branislav Kontic, que atuou como assessor na campanha de Palocci em 2006, estão entre os presos.

As suspeitas sobre o envolvimento de Palocci surgiram com a delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que alegou em 2010, que Alberto Youssef, que está preso na PF em Curitiba, lhe pediu R$ 2 milhões da cota de propinas do PP para a campanha presidencial da ex-presidente Dilma Rousseff. O pedido teria sido feito por encomenda de Palocci.

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